Ciranda Elo das Letras de Poetrix

O poetrix é um terceto, "poema com um máximo de trinta sílabas métricas, distribuídas em apenas uma estofre, com três versos e título".

Ifrit O Despertar de um Demonio

Entrei no metrô direto para o prédio Vargas 2 que fica na Rua Presidente Vargas, a estação é em frente ao meu trabalho e como sempre o metrô estava lotado..

A Ordem Secreta da Inconfidencia Mineira

E se um dos grandes nomes da Inconfidência Mineira tivesse sido possuído por um espírito maligno e a causa de sua execução não tivesse sido o fato de pertencer a um movimento popular e sim o fato apenas de uma sociedade secreta querer ocultar a presença maligna no corpo daquele homem?

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segunda-feira, 26 de março de 2012

ESTRÉIA - Extratos do Romantismo

Extratos do Romantismo

O blog Elo das Letras com o intuito de apresentar os mais diversos escritores brasileiros e seu período histórico literário cria o Extratos do Romantismo, trará como fonte de informação nesse primeiro momento os escritores do romantismo, seus trabalhos e um pouco de suas vidas. Assim esperamos contribuir um pouco com a cultura e informação dos nossos leitores. Nesse primeiro momento achamos por bem fazer um resumo simples sobre o Romantismo e seus conceitos, na próxima semana traremos nosso primeiro escritor. 

O Romantismo

O romantismo foi um movimento de caráter filosófico, artístico e cultural surgido na Europa de 1789, como uma reação à Revolução Francesa e a consequente Revolução Industrial, onde os princípios de “Liberdades, Igualdade e Fraternidade” marcaram a ruptura entre a aristocracia “declinante” e a burguesia, com a indústria, o comércio e as massas urbanas. Já no Brasil, em decorrência da chegada de Dom João VI e sua corte, em 1808, trazendo com ele os “ventos” de mudança cultural e progresso, foi decorrência desses novos ares implementados por ele, singelas brisas que trouxeram o ar de uma nova civilização, cujo bem maior foi plantado através de instituições como: a Biblioteca Real, o Museu Nacional, a fundação da Imprensa Nacional entre outros. Sílvio Romero escreveu e Carlos Nejar acrescentou: “a história é um sistema de eliminação” “mas não deixa de ser também um sistema de adição sobre o que não pode ser eliminado”.

Como movimento, inicialmente a ideia concebia apenas um estado de espírito, mas depois trouxe para si maiores responsabilidades, uma visão mais comprometida com o mundo e especialmente o “eu”. Ainda, como um modo de ver o relacionamento “homem e natureza”, operando ai como um juízo de valores da civilização, muitas vezes “corruptora”.

Robson Crusoé é um símbolo importante desse momento histórico literário nas terras tupiniquins, cujo contexto tratado por Afonso Arino de Melo Franco acentua: “Robson Crusoé é um romance em que o Brasil ocupa parte principal. (…) foi no nosso país que Róbinson enriqueceu e ainda aqui voltou”. Para Nejar isso representa um momento importante, quando Gonçalves Dias, José de Alencar e Machado de Assis em suas obras apresentam o índio como personagens de poemas e romances, significa um retorno aos “bons selvagens”, “cuja a visão foi transmitida por viajantes” “houve um Indianismo peculiar, nativo, ainda que algo ingênuo e extravagante, advindo de nossa visão e natural exuberância”. As características do Romantismo se baseiam no lirismo, o subjetivismo, o sonho, o exagero, o indianismo.

Uma oposição direta ao Arcadismo, o Romantismo marca o início da literatura nacional, que se estende até os dias de hoje, onde lidera a “emoção”, a busca pelas forças constantes da “alma”, a “imaginação” e os “sonhos”; uma sobreposição do coração sobre a razão, onde o amor é a realização plena e perfeita, onde a natureza é a expressão perfeita de Deus, lugar incorruptível pelo homem.

O Romantismo foi dividido em três gerações que abordaram de forma ampla e irrestrita as formas e contornos que tornaram essa escola literária a primeira das correntes. A Primeira Geração abordou o indianismo, ícone cultural brasileiro o nacionalismo exaltado buscando as belezas e riquezas naturais de nossas matas. A Segunda Geração é da poesia do “mal do século”, onde são inspirados por petas da Europa, abordam os amores impossíveis, o desejo pela morte, vida e liberdade religiosa, incompreensão do mundo. A Terceira Geração representa a modificação do mundo, a militância social, transformando a poesia em uma espada que fere diretamente o inimigo a “geração do condor”, que sugeri a liberdade da poesia e que essa atinja os mais diversos ares.

Fontes:  
Nejar, Carlos - Literatura Brasileira, História da - Ed Relume Dumará - 2007
Românticos Brasileiros, Poetas - Vários Autores - Editorial Amadio

sexta-feira, 9 de março de 2012

POESIA: Da costela de Adão fez poesia - Jandeilson Bezerra

Da costela de Adão fez poesia
Jandeilson Bezerra




Como barro, tecidos ao suor do oleiro
Em vestes, despida de amor
Olhos de águia ao sol
O brilho se fez como um sonho


A pele suave igual lã
E como um carpinteiro teceu 
curvas de tão bela romã


Fios que longamente a vida
representa cada dia seu
e como um véu sua alma
emudece de carinho


De tão belos traçados à perfeição
foi-se curvando em tão bela criação
cujo o divino enalteceu
e mulher a tornou.

domingo, 4 de março de 2012

Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2012 - Inscrições Abertas!

Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2012


Galera do Elo, começou ontem dia 3 e vai até dias 25 de Março, as inscrições para o Prêmio Portugal Telecom, é um dos prêmios literários mais importantes do Brasil, chegando a uma premiação no total de 200 mil, até o ano passado o prêmio total era de 150 mil mas isso mudou esse ano devido uma reformulação nas categorias.

Esse ano o prêmio comemora 10 anos, e já premiou escritores como Chico Buarque, Dálton Trevisan, Rubens Figueiredo. As categorias se dividem em Poesia, Romance, Conto/Crônica e o Grande Prêmio.

A empresa portuguesa de telecomunicações criou o Prêmio Portugal Telecom de Literatura em 2003 com o intuito de prestigiar a literatura brasileira, porém em 2007 o prêmio passou por uma reformulação tornando-se mais abrangente aos países de Língua Portuguesa. Assemelhando-se ao prêmio britânico Booker Prize, por suas regras e autor valo financeiro, o prêmio está aberto a escritores e editoras que tenham lançado livros de 1º de Janeiro de 2008 a 31 de Dezembro de 2011, desde que tenham sido editados no Brasil em 2011, e devem apresentar ISBN impresso no livro.

Maiores informações e inscrições no site do prêmio: http://www.premioportugaltelecom.com.br

quinta-feira, 1 de março de 2012

O Carnaval, uma manifestação literária

O Carnaval, uma manifestação literária
Jandeilson Bezerra

Olá queridos leitores do blog Elo das Letras, estamos de volta, o carnaval passou e muitos como nós já estão retornando das férias, o que é bom. O mundo da leitura e da literatura não param de crescer, e durante o Carnaval essa Literatura se mistura a uma cultura popular rica e cheia de detalhes, capaz de tomar nossa atenção através dos olhos, é quando para muitos a literatura toma as ruas, se transforma em vestes e também em carros alegóricos, e o que antes era imaginário torna-se realidade.


O Carnaval aqui no Brasil é isso, a manifestação cultural de toda a alegria contida na criatividade e experiência dos brasileiros. Através do carnaval não verificamos apenas uma manifestação cultural, mas também a manifestação dos desejos que brotam em nosso coração, essa manifestação da fantasia cuja origem vem de nossa infância, da infância de nossos pais, avós, bisavós e assim por diante, é quando manifestamos ainda os nossos desejos e vontades, por exemplo quando nos vestimos de nosso super-herói favorito, quando um estudante de medicina se veste de zumbi, ou quando os fantasmas ganham a avenida da passarela do samba como no desfile da Grande Rio, onde em uma enorme cama as crianças brincavam de matar seus fantasmas.

É assim essa grande festa, um momento de grande descontração, um retorno a nossa infância, nem que seja por apenas um dia, mas é quando relembramos que a literatura não sobrevive apenas de papel, mas que no papel está a concretização daquilo que em um único dia se tornou realidade em nossos pensamentos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

POESIA: Á frica - Jandeilson Bezerra

Á frica
Jandeilson Bezerra
Restirantes - Portinari

Enquanto semente sou
no brilho da aurora recebo
a fina brisa a terra molha
o canto aflito a garça entoa.


                                      A rosa molha o bico
beija flor em teu silencio                              cá estou sem argumento
                                    as ondas vão se entregando
e o mar em tão sombria rubra noite
                                                   tece finas calmarias de brisa ardente
                      em peso metálico se deslancha ardentemente
sob o silêncio raso daquele dia
                                        cuja a fina pétala se desfez.


Doirados cachos cobrem pele esbranquiçada
alvos dedos
                  deslizam
                               transbordando
Amor.

Soa o sino à 3 badalas
desperta o dia a noite esvai-se
coroa brilha e o rei se faz
o raio toca a pele jaz
cresceu, floriu, empalideceu
morreu.






quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

LANÇAMENTO: Livro Solidão além do que vejo - Jandeilson Bezerra

Hoje ocorre o lançamento do livro do editor do blog Elo das Letras, Jandeilson Bezerra, o livro intitulado Solidão além do vejo, é um livro de poesia cujo o tema principal é o amor e suas mais diversas formas de solidão.


Leia a sinopse do livro:


E se a solidão não fosse um sentimento negativo? E se ao invés dela ser apenas solidão, se transformasse em poesia? A solidão é uma chama adormecida, que pode ser apenas “solidão” ou pode ser “amor”, pode significar recolhimento ou exposição.

O ato de fechar os olhos e sentir a brisa do mar, um amor não correspondido ou um amor distante, pode representar a solidão chegando silenciosamente, sem que percebamos somos arrebatados por ela, essa solidão que pode ser amor ou esse amor que pode ser solidão. É assim o amor puramente solidão ou é a solidão amor?

“Queria falar bonito
tocar-te a alma e te levar a sonhar
fazer-te bailar em meus versos singelos
transportar-te ao meu universo de paixões”

Descubra nesses versos as infinitas possibilidades que o sentimento, estado de espírito, pode nos levar a mergulhar e mergulhando descubra seus próprios sentimentos, cative, sinta, viva esse momento.



O Convite para o lançamento:




Para Maiores informações sobre o livro acesse o blog: http://solidaoalem.wordpress.com


Ou Curta a Fan Page:  http://www.facebook.com/solidaoalem

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

POESIA: Noites - Jandeilson Bezerra


Noites
Jandeilson Bezerra


Noite que se passam,
Vejo como és de tão perto.
Vejo como passas demorada,
E contando os segundos estou.


Sou num minuto teu amigo,
Em outros insuportavel estou.
Quando com calma chegas ao fim,
Alegre estou.


Teus segredos em meu olhos,
São segredos passageiros
De minutos constantes.


Fico triste quando terminas,
Mais triste quando de ti me desperço,
Sem a companhia de um amor.

domingo, 15 de janeiro de 2012

ESPECIAL: O Poetrix, a Obra em movimento

O Poetrix, a Obra em movimento
Jandeilson Bezerra

O Poetrix é visto como a obra contemporânea da internet, uma resposta suave ao chamado literário da modernidade com a evolução e a rapidez com que a informação vai chegando a todos os lugares do mundo. A definição mais sincera e honesta dessa forma de leitura poética foi dada pelo jornal O Taqueri - SP, chamando-o de "Poetrix, o poeminha da internet" pela sua forma simples e ao mesmo tempo incisiva de ser, ainda o mesmo jornal chamou-o de “poeminha pra quem tem pouco tempo”, é verdade, as características são de poemas em terceto que tem a praticidade de ser lido rapidamente e também a de ser construído rapidamente

O mundo é chamado a viver novas experiências diariamente em todos os sentidos, assim a literatura vai alçando voou nessas descobertas que são capazes de revolucionar o pensamento e a forma como vemos as coisas e a elas temos acesso, o poetrix é a consolidação de quase doze anos de evolução conceitual pela qual passou o terceto e sua forma como movimento literário, é como o jasmim que vai soltando o seu perfume calmamente e assim vai se espalhando e conquistando a todos.

Muitas vezes comparados ao hai-kai, mas na sua fórmula não sendo, devido ao modo como ele se caracteriza as grandes diferenças foram enumeradas pelo seu fundador em "Dez dicas para um bom poetrix" onde ele traz como mensagem principal que o poetrix é antes de tudo a arte de falar (ou escrever) através de uma linguagem metafórica que se entrelaça a arte da insinuação de sentidos, onde um terceto pode traduzir a história do indizível ou a história daquilo que foi dito. Exemplo que ele aborda em um dos poetrix utilizados no texto:

XENOGLOSSIA

na Planície de Sine-Ar
decifrar tua língua
em minha Torre de Babel

No qual através de seu próprio testemunho disse: "Após ter a ideia, fui à Bíblia obter mais informações sobre a Torre de Babel. Lá descobri que ela foi supostamente erguida na planície de Sinear. Em latim, “sine” quer dizer “sem”. A informação caiu perfeitamente: a língua, a torre, alguém “sem ar”... Uma pequena informação pode fazer uma grande diferença."

O poema curto, "enrijecido" e cheio de delicadezas, é assim o Poetrix, como a pétala de uma rosa suave e cheia de vida, de fácil construção e cheio de possibilidades, para quem usa twitter é uma ótima maneira de fazer poesia, porém fique atento aos detalhes da construção. O Poetrix é um movimento, não é apenas um terceto com um título, as mais diversas fórmulas foram criadas ,e tendo fórmulas também tem Bula, e leva esse nome justamente para nos lembrar a bula de um remédio, talvez o remédio para a cura de males do passado e resposta rápida ao presente que se movimenta de forma enigmática. O que há no Poetrix que faz diferenciar a atualidade literária é a sua forma de ser poética, não é uma resposta a pós-modernidade já que é confusa em sua arte nos mais diversos sentidos, mas uma resposta (remédio) da arte contemporânea que tem raízes profundas nos mais diversos escritores como Drummond, Vinícius e tantos outros que criaram tercetos de forma simples e já anunciavam profeticamente o início de um novo movimento, como podemos ver:

TRANSVERBERAÇÃO DE SANTA TERESA (Bernini)

Visão celestial, doce delírio.
Da cabeça aos pés nus
êxtase (orgasmo?) relampeia. (Carlos Drummond de Andrade, Farewell, RJ, Ed Record, 1996)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Ciranda Elo das Letras de Poetrix

Ciranda Elo das Letras de Poetrix


Esssa semana tiramos para falar sobre o Poetrix, esse tipo de terceto brasileiro que está conquistando adeptos em todo o mundo. Ele tem lá suas semelhanças com outros tipos de movimentos mais populares, mas não se deixe enganar pois o Poetrix é brasileiro e tem suas proprias características.


Então o que é o Poetrix?


O poetrix é um terceto, "poema com um máximo de trinta sílabas métricas, distribuídas em apenas uma estofre, com três versos e título".




Abaixo a Ciranda realizada especialmente para o blog Elo das Letras através do canal de mensagens do MIP - Movimento Internacional de Poetrix.






Flor morena


na cama da senzala
sou um colibri de asas partidas
que não quer voar


Pedro Cardoso (DF)


É isso


Até o catre é uma delícia,
encantada paixão,
situações perfiladas no ato.


Regina Lyra


Alheios


com máscaras do dia-a-dia,
vivo belas fantasias
e você...faz-de-conta!


Déa Villanella


Graal


meu corpo
cálice sagrado
arca da aliança


Goulart Gomes


Narcisismo


um macho enrustido
na frente do espelho
deflora a si mesmo


Lílian Maial



Parece mas não é

Febre, cefaleia, enjoo...
Dengue?
Falta de dengo!

Kathleen Lessa



Legado

Os homens, com ou sem terno,
Pelo que fazem, podem ser eternos.
Imortais, só os Deuses.
  
                                       Para Cláudia Bacelar, médica e filósofa
Ronaldo Jacobina



OBS: Todos os poetrixtas participantes estão lincados para suas respectivas biografias, assim obterão maiores informações sobre eles.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

POESIA: Lamento em fuga - Jandeilson Bezerra

Lamento em fuga
Jandeilson Bezerra


Passou silenciosamente aqui bem próximo
nesse cantinho recolhido fez-se cativa
em orvalhos lacrimosos se desmanchou
e tal rosa feita o esplendor encontrou.

Nada quis para si e então
nada em seu colo levou
arrasou como um tornado
em vales prantuosos a vida transformou
daquele silencio que versos a floriu.

Chegando quieta se instalou
tão intensa e insana
tão fugas e viu
no sono profundo o coração deitou
os lábios secos de uma noite em fim.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Vídeo-Poema: Pele Nua

Na semana passada eu trouxe para vocês a poesia Pele Nua, e logo depois que fiz a divulgação do poema, fique pensando como seria ele em vídeo, entrei em contato com um amigo que se animou com a ideia de trabalhar essa possibilidade, com os poucos recursos disponíveis conseguimos o resultado do Vídeo-Poema abaixo, espero que gostem, é sem dúvidas uma experiência inigualável.

Quero agradecer a Uírá Filipe por ter emprestado sua voz e também ter editado o vídeo.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

POESIA: Pele Nua - Jandeilson Bezerra

O Nascimento de Vênus -  Sandro Boticelli
Pele Nua
Jandeilson Bezerra




A pele suavemente transparente em giz
Olhos que vibrantes se deixam lavar
Em gotas orvalhadas de solidão
A alma se compraz de tal angustia
Em ter compartilhado em seus vitrais.


Esperança que fugaz se entrega ao mar
Azulando o doce verde se desfaz
Em tão bela face lábios vermelhos se refaz
Em dentes alvos de um sorriso eficaz.


Que na alma a dedos suaves deslizar
Aumentando a fricção de tal tocar
As muralhas ruírem ao sibilar
Do mais puro encontro a florescer.


E na primavera o amanhecer entregue
De árvores que bailam sem parar
O amor mais uma vez enaltecer
Tão nobre alma de gestos generosos
Repousar sobre o véu do entardecer.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Conto: O Artesão de Natal

O Artesão de Natal 
Jandeilson Bezerra




A muitos séculos atrás existia uma família do outro lado do mundo que não se preparava para o Natal, eles nem sabiam o que era o espirito natalino. É bem verdade que uma família simples, que não tem dinheiro para gastar em compras e presentes desconheça o Natal e o espirito natalino como é conhecido. 
 
O chefe dessa família, seu Nélson, era um homem simples e humilde, estava passando por diversas dificuldades, sequer tinha dinheiro para comprar alimentos, havia sido despedido de seu emprego um pouco antes do Natal.  Mesmo não tendo dinheiro, não tendo o que comer, a esperança não se dissipava dos olhos daquela pequena família.  Elisabete, era assim que se chamava a esposa, era uma mulher de muita fé, e lá estava ela ajoelhada pedindo a Deus que abençoasse seu marido e seu filho, que não lhes deixasse acabar a felicidade e a vontade de viver. 


Na aldeia onde eles moravam havia um homem muito misericordioso, ele buscava sempre ajudar os mais necessitados com tudo aquilo que podia ofertar, ele não era uma pessoa muito rica mas também não era pobre, trabalhava muito, mas era muito solitário. Dentro de sua casa nunca se via alguém entrar, ele era um artesão. Passou dias e noites trancafiado em sua casa antes do Natal, não deixava de olhar pela janela como estava aquela família pobre que passava por dificuldades, lá da janela dele dava para ver tudo. 


Do lado de fora da casa daquele homem o que sou ouvia era o barulho, o barulho das ferramentas tocando a madeira, dando forma e desenhando os contornos da madeira para algo tomar forma. As pessoas curiosas se aglomeravam na janela do artesão. Ele fazia de tudo para esconder no que estava trabalhando, mas todos desconfiavam que era algo grandioso e maravilhoso. De fato, a fama do artesão era a de que ele era um mago, fazia coisas fantásticas entalhadas na madeira. 


Faltava pouco tempo para o Natal, e o artesão trabalhava incansavelmente em sua obra mais maravilhosa de todas, fora a neve já começava a cair, ele vai diante da janela e percebendo pensa consigo mesmo que tudo estava indo de acordo com o que ele planejava. O que ele tinha em mente ao certo ninguém sabia, a única coisa que se podia deduzir era a que ele estava muito interessado em ajudar aquela família pobre que desconhecia o Natal. 


Alex era o filho de Elisabete, estava já sendo colocado pra dormir, ainda chorando pois sentia fome, sentiu o calor do abraço de sua mãe e de seu pai dando-lhe um boa noite. Logo dormiu, as velas da casa iam se apagando uma a uma enquanto todos já dormiam. Apenas o artesão encontrava-se acordado naquele instante, a vila toda já dormia.  


O artesão abriu pela primeira vez, durante o Natal, a porta de sua casa, ia trazendo para fora com muito esforço miniaturas de renas esculpidas na madeira e colocando uma atrás da outra, eram seis, fazia tudo em silêncio, para não acordar os vizinhos, após colocar as renas ele trouxe uma miniatura de carroça, ela era enorme, e tinha uma grande extensão atrás, colocado logo após as renas a carroça, ele foi e pegou um grande saco e colocou sobre a carroça, entrou mais uma vez em casa e quando saiu estava vestido com uma linda roupa vermelha, agachando-se sobre a neve olhou para um lado e olhou para o outro não vendo ninguém pegou a neve em sua mão jogando sobre as miniaturas de madeira deu grande grito – Ho! Ho! Ho!. Uma atmosfera mágica tomou conta do lugar, a neve cintilante começou a brilhar e dançar freneticamente sobre as miniaturas, que iam crescendo e tomando vida, após esse momento mágico ele subiu na carroça, jogando mais uma vez a neve que estava em suas mãos sobre a rena elas começaram a voar, e voavam deixando para traz um rasto de pó brilhante que ia se misturando com a neve que caia na vila e criando diversas formas de animais na neve.  


O artesão naquela noite passou na casa de cada família que morava na vila, ele sabia que cada um tinha uma necessidade especial, e lembrou-se de passar no casebre daquela família que não sabia o que era o Natal. Sobrevoou sobre ela durante um certo tempo, jogou ali seu pozinho e logo voltou para a sua habitação onde estacionando em frente seu trenó com o saco vazio que majestosamente ficou cheio, as renas e a carroça voltaram ao seu estado normal, mas já não eram miniaturas, permaneceram no tamanho real, lindas renas talhadas na madeira que mais pareciam estarem vivas, mas era a magia das mãos do artesão que davam brilho a madeira talhada. 


Alex se acordou, com fome não conseguia dormir, mas teve uma surpresa, acordou em uma cama luxuosa com cobertores nas mais diversas cores e desenhos de animais, ele não compreendia, e colocando o pé no chão sentia que algo tinha acontecido, o seu quarto não era o mesmo de quando foi dormir, estava lindo, cheio de cores e vida. E saiu correndo ao encontro de seu pai. 
  • Papai! Papai! Papai!
 Seus pais acordaram, não entendiam o que havia acontecido naquela noite, estavam em uma outra casa, uma casa rica, cheia de cores e detalhes reluzentes, a escada que dava para a sala era toda talhada em mão, pequenas renas era a decoração usada na madeira das escadas. Chegando na sala dão de cara com uma pequena mesa ao lado do sofá e lá estão retratos da família em diversos momentos da vida, e seu Nélson olhando para sua esposa tenta explicar o que estava acontecendo mas não encontra palavras. Ao lado da enorme árvore de natal bem no meio da sala, toda enfeitada e brilhante havia uma pequena carta que escrito estava: “ A felicidade vem quando menos esperamos, o Natal não representa apenas um momento voltado para o consumismo, representa o momento de partilha, de doar-se, de ser humano para aqueles que necessitam.” 


Ao pé da árvore estavam os presentes, o pequeno Alex ganhou um cavalinho de madeira, no qual se divertiu a noite toda. Na sala de jantar estava uma linda mesa cheia de frutas e comidas das mais diversas, os doces não faltavam também. A família caminhou até a sala de jantar e lá saciou a fome que por semanas os afligia. 
O dia ganhava o lugar da noite, o sol ia nascendo calmamente ganhando o espaço azul do céu, rompendo a barreira do silêncio os pássaros começavam a cantar, rasgavam o céu com voos rasantes, a neblina se dissipava, a vila começava acordar, era o Natal, a neve ainda encantava a cidade mas calmamente ia derretendo. Havia festa nas casas da vila, os cidadãos não compreendiam como presentes apareceram em suas árvores, era um enigma que os deixava feliz. Todos saiam de casa e iam para a rua comentar aquela novidade, saindo a rua se deparavam com a bela decoração em madeira na frente da casa do artesão, era lida a decoração, ficavam admirados e extasiados com tanta realidade impressa na madeira. Uma multidão se aglomerava na frente da casa dele, enquanto comentavam sobre a belíssima decoração natalina na casa do artesão se deparavam também com um casarão todo feito em madeira, o casarão estava no lugar daquela que era o casebre da família pobre, se perguntavam como a casa tinha ido parar ali da noite para o dia, e não compreendiam, até que os donos apareceram na rua para desejar a toda a vizinhança um Feliz Natal, e todos viram que algo de mágico havia acontecido naquele Natal. A felicidade se apoderou de toda a vila, e eles começaram a cantar, a se abraçarem e se desejarem felicidade. 

domingo, 4 de dezembro de 2011

Poesia: Vendo meu coração - Jandeilson Bezerra

Vendo meu coração
Jandeilson Bezerra

Não sei se tudo o que vejo é real
ou simplesmente imaginário de uma mente
em tão constante erupção.

O corpo que se alto flagela, nos guetos
perdido entre a aurora e o limiar
que não silencioso se turba.

Já não sei se é tudo verdade
onde vendo, e vendo mais uma vez
me deixo encontrar em tão grande mecanismo globalizado
dos espaços que tenho
e tudo propaganda ou não, sendo.

Vendo, olhos de longe
a boca, o semblante
a aurora mais brilhante.

Vendo, a casa, o lar doce,
o espaço, a TV, o celular e ainda para não esquecer
a roupa que visto, o boné que me cobre a cabeça.

Vendo, a praia onde o sol a toca me relembra a infância,
o espaço onde antes foi minha casa na árvore,
também a cadeira de vovó.

Vendo, a minha mochila,
o carrinho que brinquei
o corpo, os dedos que tocam o teclado,
e vendo as letras que se formam em pensamentos,
só não vendo os pensamentos pois o espírito está acorrentado
e tolhidas as aspirações
deles é a ação que pode existir ou não.

E se nada mais estou vendo, é que o que vendo
ainda não é a matéria dessa discussão.

sábado, 19 de novembro de 2011

Poesia: Heresia dos olhos - Jandeilson Bezerra

Poesia: Heresia dos olhos - Jandeilson Bezerra


Olhos purpuras envolto em negros buracos
fonte escura em amarelados lados
passos engatinhados em leste
carranca indiscreta de lados tortos
não barulhenta, silhueta maldita

Sinuoso desejo em dentes expostos
corada face em tons de cinza
a couraça vermelha ardendo em chamas
firma o pé em pelos feitos
marcas passam, a despercebo

Ignoro sinais que se alto evidenciam
as dores inquietas desse momento vazio
consagrando se firmam em olhares curiosos
pelos dedos tocando face anuviada

A pele suave se percebe fazer
os meigos olhares a se encontrarem
em tão gentil silêncio de pássaros que voam
e se deixam embeber de tão puro amor.

domingo, 16 de outubro de 2011

Poesia: Gozo Silencioso

Gozo Silencioso
Jandeilson Bezerra


Quando olho da janela e o sol encontro
à minha espera está o belo
silencioso e inquietante
crepitando em suas nuances, em seu canto
estridente está o pássaro azul
que de uma flor a outra vejo a pular.


A lua em nuvens a se entregar
vasculho o céu a sonhar
por aquela hora em que meus olhos
possam enxergar e assim
em braços calorentos me entregar.


Não como a estrela a explodir em ilusões
sim como as letras a se entrelaçarem em fusões
de sons vibrantes ao par a par se entregarem
e nesse amor mútua se aconchegarem.


E ao fim do dia quando o olhar dela me encontrar
e seus lábios junto aos meus regozijar
em um só gemido de profusão descomunal
as mãos tremerem nesse caso tão real.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ifrit, O despertar do demônio - Parte Final - Jandeilson Bezerra


Ifrit, O despertar do demônio
Jandeilson Bezerra


Entrei no metrô direto para o prédio Vargas 2 que fica na Rua Presidente Vargas, a estação é em frente ao meu trabalho e como sempre o metrô estava lotado. Eu olhava de um lado para o outro, não sabia o que fazer pois a todo momento vinham aquelas imagens do demônio em minha mente. Algo parecia familiar em toda aquela situação, mas eu ainda não sabia o que era, me esforcei ao máximo para lembrar o que seria mas cada vez mais e mais imagens de um mundo desconhecido me vinham na memória, pessoas sofrendo, corpos em chamas, demônios com asas queimadas, era como se fosse uma batalha em pleno os céus onde a todo momento homens com asas caiam em um mundo vermelho em chamas. Que confusão está a minha mente, pensei, mas não dava para organizar tudo aquilo eu sabia que algo havia acontecido e que esse acontecimento estava mexendo no meu interior.

Cheguei no meu destino, as ruas agitadas da Presidente Vargas, parei em frente o semáforo, caminhando a passos lentos fui passando na faixa até que em um dado momento o sinal fechou e continuei caminhando, as pessoas gritavam meu nome e eu nada fiz, só continuei, quando dei por mim um carro quase bate em outro em uma freada brusca para me salvar.

Olhei para os lados friamente e continuei minha caminhada foi quando o sinal abriu e cheguei no meu destino, o meu trabalho. Fui direto para o meu escritório, vozes de todas as partes vinham em minha mente, vozes que se lamentavam, choravam, rangiam os dentes, ouvir aquilo me dava um prazer sobrenatural. Imagens de um prédio em chamas iam e vinham diante de meus olhos e tudo aquilo me dava uma sensação de poder estranha, um poder que nunca senti.

Do outro lado escutei o meu chefe me chamando, vou correndo para a sala dele com o intuito de saber porque tanto ele gritava já que as correspondências ainda nem haviam chegado. O meu chefe era daqueles caras muito exigentes, por bobagem se irritava e provavelmente a causa da irritação dele era atraso do carro com as correspondências do dia.

Entre xingamentos e palavreares, foi assim que cheguei no escritório dele. A boca dele não parava de abrir e fechar, sentei na cadeira em frente a mensa dele enquanto ele ia de um lado para o outro falando e falando. Recolhi-me dentro do espaço da cadeira, meus pensamentos começaram a se concentrar em outra coisa, nunca fui de desejar mal a qualquer ser humano mas naquele momento me permiti, meus olhos acompanhavam cada passo que ele dava indo e voltando por dentro do escritório e imaginei meu chefe dentro do escritório em chamas ele tentando sair mas não conseguia pois a porta estava fechada e as chamas se alastravam de uma forma tão rápida que ele implorava para alguém abrir a porta e não conseguia até que o fogo começara a consumir o seu corpo parte por parte lentamente até que não existisse mais qualquer parte de seu corpo livre das chamas.

Foi sensacional pensar tudo aquilo, desejar estar presente e ver como tudo aquilo poderia acontecer, mas não passava apenas de um desejo de meu consciente algo que ficava apenas no campo das ideias.


Sai do escritório e entrei no meu, quando cheguei lá todas as cartas já haviam chegado e aquele era o momento de organizar tudo no carro e sair distribuindo em cada um dos andares e departamentos daquele prédio.

Cada carta entregue, cada pessoa vista no corredor e cada sentimetro andado eu imaginava em chamas, lamentos, medo e principalmente o medo de todos aqueles encurralados no prédio em chamas sem terem para onde correrem.

Aquele eu até antes de ir à missa já fora deixado para trás, o que estava ali no trabalho era um outro alguém, um novo alguém que estava gostando de todas essas novidades, os ouvidos se abira mais para ouvir os sons dos lamentos, a visão ficara mais límpida para enxergar como seria o prazer de ver o sofrimento e assim estava sendo desde a manhã.

Todas as manhãs anteriores aquele dia era manhãs sem diversão, sem alegria ou qualquer entusiasmo. Na empresa todos passavam por mim e sequer me davam um bom dia, diariamente o meu chefe me sentava na cadeira de seu escritório e ficava falando sobre sua raiva dos pobres, daqueles que não faziam o trabalho direito. Todos riam de mim, cochichavam pelos cantos a minha presença e me chamavam de o entregador.

Desci então até a área de segurança da vigilância do prédio, e como sempre o local estava as moscas, foi ai que tive a ideia. Peguei uma chave qualquer que trazia comigo coloquei na fechadura forçando a chave quebrei-a, assim ninguém entraria naquele local. Fui subindo andar por andar, um a um e prendendo as portas de saída de incêndio, as vassouras presentes nos depósitos perto de cada porta onde estava o material de limpeza serviram para me ajudar a prender cada porta dos dezoito andares.

Fui até a garagem e violei uma das entradas de gasolina de uma blazer que estava estacionada ali, longe das câmeras de vigilância. Tirei toda a gasolina e coloquei em um balde, fui até o décimo oitavo andar e arrombei a entrada de ar-condicionado do prédio. Certa vez o zelador havia comentado que era uma entrada única, na vertical e que abastecia todos os andares, em alguns andares os canos do ar estavam dispostos em zigue-zague para facilitar a circulação do ar, sem pestanejar joguei todo o balde de gasolina na entrada do ar-condicionado, o pouco que sobrou no balde espalhei por dentro no banheiro do decimo oitavo e o papel higiênico fui espalhando por cada cantinho do local.

Derrepente fui cegando e não vi mais nada do que fazia, meu olhos vermelhos a boca seca e o agir espontâneo de meu corpo ia caminhando por todos o banheiro espalhando os papeis, na minha mente todo o passado de dias a fio me dedicando pelo trabalho e não receber nenhum reconhecimento, mas aquilo tudo iria acabar ali mesmo e naquele momento.

Peguei o isqueiro que sempre trazia no bolso, apesar de não fumar o esqueiro sempre foi meu companheiro pois servia para me aproxima das mulheres e ter um pouco de contato humano o que nem sempre funcionava na minha solitária vida. O isquei, meu fiel companheiro, enfim serviria para algo grandioso e glorioso e me renderia ótimos momentos de prazer.

Os vejo no inferno, pensei, e próximo ao condutor de ar do ar-condicionado risquei o esqueiro e um pedaço de papel, enquanto o fogo já se alastrava dentro do banheiro para o décimo oitavo, os andares um a um seguiram de uma explosão enorme. Para finalizar me dirigi até o sistema de gás e soltei a válvula do condutor ao que instantaneamente explodiu. Nos andares do prédio todos corriam para as portas de incêndio mas de nada adiantara, ficavam aos montes, alguns morreram pisoteados enquanto outros ficavam tentando um modo de soltar a porta e nada conseguiam.

Andar por andar, um a um as chamas fora consumindo, muitos quebravam os vidros das janelas e saltavam, morriam antes mesmo de chegarem ao chão e outros ficaram calmamente aguardando o seu fim. E nos meus ouvidos o coro dos gemidos e dores sofridos por aqueles malditos.

O gás tomara de conta de todo o prédio e uma explosão enorme se fez, o sétimo andar não suportou e foi todo abaixo levando consigo todos os demais andares do prédio. Três mil quinhentos e trinta e um fora o número dos que pagaram por todo o meu sofrimento.

O Prédio

O prédio Vargas 2 foi destruído em toda a sua estrutura por um modo simples de arma, a astúcia humana. O despertar de um demônio reencarnado é muitas vezes dolorido mas quando este desperta para a sua missão a cumpre de um modo sinfônico que a própria natureza contribui para que tal aconteça. Já no inferno Ifrit contara como despertara para sua missão e de seu encontro com Azazel na Igreja em plena a missa e os demônios se regojizavam com tal feito que arrebatara milhares de pessoas para padecerem nas tormentas do inferno.


Fim!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ifrit, O despertar do demônio - Continuação - Jandeilson Bezerra


Ifrit, O despertar do demônio - Continuação
By: Jandeilson Bezerra

O ser que estava ali diante de mim tinha características inconfundíveis, seus pés eram enormes com unhas que longas e grossas e uma enorme divisão entre os cinco dedos em ambos os lados via-se as dobras e enroladas que dava parecendo a raiz das árvores, nos joelhos uma enorme curvatura que fazia como que o resto de seu corpo repousasse sobre suas pernas, mãos com unhas ponte-agudas, uma boca enorme que mostrava seus caninos afiados e uma enorme barba que cobria até o seu peito, na cabeça dois chifres pequenos, a cor de sua pela era escura, uma pele totalmente diferente e escamosa da cintura para cima e coberta de pelos da cintura para baixo. Ele caminhava na ponta dos dedos, e foi dessa forma que veio até mim.

- Ifrit, meu caro Ifrit, você talvez tenha esquecido a sua missão, esse corpo humano te fez esquecer a que fostes enviado a terra? Ou apenas te curvasses ao ser de argila?

Aquelas palavras soaram no meu ouvido sem que ele sequer abrisse a boca, ele me chamava por um nome que nunca em minha existência havia ouvido mas me soava estranhamente familiar, e eu não entendia do que ele estava falando, meus olhos se mexiam de um lado para o outro e eu nada fiz já que nem meus pensamentos conseguia manifestar. Como responder aquelas perguntas? Ou mesmo como fazer outras perguntas e entender para que estava ali?
Vi o espectro tirar de uma sacola de couro que trazia consigo uma enorme chibata, nas pontas dela traziam três enormes esferas que reluziam como o fogo, pareciam terem saído do meio das chamas naquele momento, foi quando em minha direção ele simplesmente a forçou, senti uma enorme dor e despertei assustado com a mesma senhora que me convidou para ficar mais a frente na hora da missa.

- Meu filho, acorde, você dormiu em plena a missa, que desrespeito meu filho!

Olhei para um lado e para o outro nada vi, nada entendi, levantei-me e sai correndo desesperado daquele lugar pensando comigo que aquilo fora só um sonho e nada mais, um sonho que quero para sempre esquecer.

Profecia

Ele virá com uma única missão a de levar a ruína todos aqueles que estiverem perto dele. Ele agirá como eles, comerá da mesma comida e beberá da mesma bebida. Seus pensamentos se confundirão aos deles, viverá isolado deles mas com eles estará e quando o mensageiro do diabo aparecer em seus sonhos dará-lhe chibatadas que o farão despertar de um sono profundo e sua irá despertará junto com ele, e quando ele despertar haverá fogo por todos os lados, choro e ranger de dentes. Perecerão todos um a um junto com ele, e só então poderá voltar para sua morada, e depois de cem dias e cem noites renascerá em um novo corpo para fazer tudo de novo levando outros a ruína e essa será sua missão na eternidade de seus dias.

Continua...