Ciranda Elo das Letras de Poetrix

O poetrix é um terceto, "poema com um máximo de trinta sílabas métricas, distribuídas em apenas uma estofre, com três versos e título".

Ifrit O Despertar de um Demonio

Entrei no metrô direto para o prédio Vargas 2 que fica na Rua Presidente Vargas, a estação é em frente ao meu trabalho e como sempre o metrô estava lotado..

A Ordem Secreta da Inconfidencia Mineira

E se um dos grandes nomes da Inconfidência Mineira tivesse sido possuído por um espírito maligno e a causa de sua execução não tivesse sido o fato de pertencer a um movimento popular e sim o fato apenas de uma sociedade secreta querer ocultar a presença maligna no corpo daquele homem?

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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Conto: O voo da galinha


O voo da Galinha
Jandeilson Bezerra
Não tão distante daqui, em um pequeno castelo à beira-mar morava o jovem Hamlet, trancafiado em seu quarto, cheio de dúvidas e temores. Ele estava passando por grandes dificuldades, não sabia o que fazer ou responder aos seus próprios questionamentos. Tinha por companheiro um pequeno papagaio que falava pelos cotovelos quando provocado.


O jovem era daqueles jovens alienados e impulsivos, não gostava de ser perturbado por ninguém, sua grande virtude era trazer soluções aos seus problemas, mas problemas era o que não tinha. Seu castelo era como se fosse uma pequena biblioteca, cheia de livros, os que mais se destacavam eram os livros da sabedoria grega, de homens como Sócrates, Aristóteles e assim por diante.


Certo dia andava ele cabisbaixo, não deixando o sol entrar em seu quarto, o que raramente acontecia, pois de sua janela dava para se ter uma linda vista do mar de São Conrado, um lugar paradisíaco, envolto por árvores e dunas, com lindas ilhas ao redor da orla, onde o sol se escondia todas as tardes. Uma vista realmente privilegiada e rara na face da terra, que só podia ser observada unicamente pelo dono dela, o próprio Hamlet.


O papagaio descontente caminha até o quarto de seu amigo e, entrando sem bater percebe toda a situação, não compreendendo segue até a janela. Dá um salto e puxa um pequeno cordão que faz as cortinas do quarto se abrirem e o sol entrar. O rapaz estava sentado, com os cotovelos sobre uma mesa cheia de livros, sua face agudamente triste. Eis que o papagaio sem ser provocado indaga:


- Meu jovem senhor, o que é feito de ti para que estejas assim?


- A meu companheiro, estou aqui com um questionamento que não me deixa dormir desde que pairou sobre minha cabeça.


- Mas sobre sua cabeça nada consigo enxergar.


- Claro meu amigo, quero dizer sobre meus questionamentos.


- Ah sim, seja mais claro!


- Pois bem, eis que vejo uma galinha…


- Onde? Onde? Diga-me oras! Há anos que nada vejo por essas terras!


- Não meu amigo, eu vejo a galinha em meus pensamentos!


- Ah bem! Porque não falou antes!


- Bom, vejo uma galinha, que está a beira de um penhasco, pensando ser um passarinho, quer voar. Mas antes alguém já havia falado a ela que não era passarinho e que não podia voar. Porém a galinha havia lido em uma pequena revista que ela podia ser o que quisesse.


- Certo, todos podemos ser o que queremos.


- Verdade. Mas como a galinha poderia ser passarinho e voar, se ela era uma galinha e certamente se abrisse as asas e saltasse do penhasco morreria?


Hamlet seguindo com seus questionamentos se depara então com aquela situação, onde uma galinha queria ser passarinho e voar. O papagaio logo compreendeu que era mais um daqueles tantos questionamentos que o rapaz passava horas e horas querendo resolver em sua mente puramente filosofal.


O papagaio percebe que continuar ali no quarto era inútil e que a resposta não chegaria tão facilmente assim. Então convidou a Hamlet para um passeio pela exuberante praia de São Conrado, admirar o por sol e juntos resolver aquele questionamento que mais torturava a mente de Hamlet do que qualquer coisa. E saíram os dois em busca de uma resposta.


Caminhando pela praia, eis que aparece uma serpente, balançando o seu rabo e cantando um tango, era totalmente desafinada mas nunca ninguém lhe havia dito isso. Rastejando e cantando sua música, que falava da beleza da vida, do amor perfeito e sem medidas, enxerga e assusta-se com Hamlet acompanhado de seu amigo emplumado: – O que fazem vocês dois aqui na praia?


O papagaio, com seu jeito debochado, parabeniza a serpente por sua tão bela voz – que afinada encantou aquele fim de tarde. O rapaz, balançando a cabeça, olha para o papagaio e começa a rir.


A serpente vira-se para Hamlet e pergunta o porquê da risada. Ele gagueja um instante e responde que nunca em toda a sua vida havia visto uma serpente balançando o rabo e cantando tango. Ela retruca de imediato que é cantora e que havia aprendido tango em uma de suas viagens pelo mundo afora.


Então, vira-se a serpente novamente para o papagaio com ares de quem aguarda uma resposta a sua pergunta. Percebendo isso, ele logo abre o bico e a deixa a par da situação de conflito que Hamlet vivia.


Certamente a serpente, com tão grande experiência, poderia ajudar dando luz ao pensamento do pequeno filósofo, mas ela só pensava em cantar seu tango. Como se nada tivesse acontecido, cantando a serpente vai saindo da presença dos novos amigos sem perceber que eles ainda estavam ali aflitos esperando por uma ajuda.


Logo Hamlet compreende que ela em nada poderia ter realmente ajudado, mas descobre naquele momento que alguém poderia ser duas coisas ao mesmo tempo, se quisesse. Como a serpente, que rastejando e balançando o rabo de chocalho, cantava tango, mesmo que desafinada. Mas e a galinha, poderia ser passarinho também? Esse era o questionamento que povoava a mente do rapaz naquela hora.


O sol começara a se por e a serpente ia desaparecendo entre as pedras da praia, Hamlet contemplava tudo com um ar de curiosidade e satisfação, na realidade o vôo da galinha era muito mais sério para Hamlet do que simplesmente um questionamento, mas percebeu que a lição que a serpente tinha lhe dado parecia agora mais relevante do que seu questionamento tolo.


Para responder aquela pergunta sobre a galinha, era necessário saber o que voar representava para ela e não simplesmente o ato de bater as asas como um pássaro.


Hamlet rapidamente subiu até um ponto alto na montanha, abriu os braços e, sentindo a brisa suave bater em seu rosto, simplesmente percebeu que a galinha não queria voar. Ali, parado de braços abertos, com os olhos fechados, os cabelos ao vento, naquele momento percebeu que só o fato de estar ali era suficiente para representar um vôo dentro da imaginação.

terça-feira, 5 de julho de 2011

A Ordem Secreta da Inconfidência Mineira - Parte III

A Ordem Secreta da Inconfidência Mineira
Parte III


Chegando na floresta, próximo a Vila Rica, a ordem estava mais uma vez reunida como se estivessem esperando o corvo que ao chegar pousara sob o altar, logo Grande Mestre se aproximara com sua capa imponente na cor vermelha que mais parecia flutuar, pegara o corvo e com uma pequena adaga tirara-lhe os olhos levando-os até uma pira cheia de água e jogando-os lá esperei que algo acontecesse, imagens turvas começaram a se fazerem presentes na pira, foi quando as imagens se fizeram constantes e límpidas mostrando tudo o que vira Tiradentes fazer naquela noite, eram as lembranças armazenadas nos olhos do corvo que fora a testemunha principal do acontecido. Todos que ali estavam presentes ficaram furiosos e resolveram que agora era a hora de agir silenciosamente como sempre fizeram nessas situações, o perigo era eminente e sua estadia na terra não poderia ser revelada. O Grande Mestre dispensou a todos, com uma promessa de que a solução se daria ainda naquela noite, e seguira para a sua casa, enviando imediatamente um mensageiro ao Visconde de Barbacena. Ao receber a mensagem cuja carta continha o selo do círculo com uma estrela dentro logo descobrira que se tratava de uma correspondência urgente e de grande importância já que não recebia uma daquelas a muitos séculos, lendo o conteúdo e se colocando a par de tudo o que ocorrera fez por incluir o nome do jovem rapaz nas listas daqueles que deveriam ser caçados e presos para julgamento.



Já na ilha das Cobras, a face escondida sob os inchaços dos socos que levara dos policiais Joaquim estava irreconhecível e para averiguar se se tratava realmente dele o Grande Mestre chegara ao complexo prisional, conversando com o responsável por lá ouvira-o falar que o homem preso por vezes ao anoitecer falara palavras em um dialeto que não compreendia, o grão-mestre olhara silenciosamente para as qualidades do local, portando o seu majestoso anel de ouro, de pele pálida e jovial ele pedira para ser levado até o preso sem esboçar qualquer reação de espanto ou temor, ele era desprovido dessas reações humanas, chegando lá encontra-o deitado no chão sujo de lama que mais parecia um mendigo.

- Veja senhor, ele recusa-se a tomar banhos e vive falando essa língua que desconhecemos. -Disse o guarda de plantão.

- Deixe-nos a sós por alguns momentos.

O guarda saiu, o Mestre adentrou a cela na qual Tiradentes estava sozinho, era uma cela desprovida de qualquer conforto cuja as paredes cheias de infiltração traziam apregoadas os grilhões usados para segurar os presos e no qual num deles estava o desfigurado Joaquim, tirando de dentro de seu paletó uma erva fê-lo a engolir.


- Vamos, engula desgraçado, rápido!

- Você pensa que eu não sei quem você é? Sim eu sei! Você veio de lá e sua única missão é impedir-me mas isso não acontecerá, você veio, eu sei, você está aqui a mais tempo que eu, há como o odeio miserável. - Disse Tiradentes em um tom de voz rouco e chiado, expressivamente forte e cheia de ódio.

- Claro que você sabe Gervásia ou melhor Abigor, você se perdera de nós, encontrou o caminho da escuridão e fez dele o seu refúgio, você esqueceu a nossa missão aqui e no passado, esqueceu-se quem é o seu verdadeiro senhor e para sua infelicidade nós estamos aqui também se alojou no corpo desse infeliz pensando que não perceberíamos. Agora terá que pagar com a sua vida e a dele, só que dessa vez você não voltará para o lugar de onde veio e sua missão dê por encerrada, você veio desprovido de qualquer força, cadê sua inteligência agora? Ainda não é sua hora Abigor, cadê suas legiões para defende-lo? - Disse o Grande Mestre.

- Ele não tem culpa senhor, ele apareceu no momento errado da minha passagem, infeliz do Tiradentes tão cheio de sentimentos nobres sucumbiu no primeiro momento. Minha missão não terminou Gamaliel, logo tudo se revelará!

- Não venha com desculpas, seu desgraçado, você nos colocou em perigo e agora pagará com a sua própria vida e eu mesmo me responsabilizarei para que você nunca mais retorne a esse mundo.

- Pobre Gamaliel, tenha cuidado para que ele não esculte suas ofensas. Outros virão depois de mim, e outros haverão de me libertar de qualquer prisão que você me imponha, não será a primeira vez nem a última, lembre-se disso.

Se retirando da prisão o Grande Mestre foi ter com o Vice-Rei que logo se incomodara pelo alto andar das horas, porém ao perceber de quem se tratava pulara de sua cama e fora recebe-lo com total reverência já que a influência do Grande Mestre se fazia por saber. O Mestre trazia consigo uma carta timbrada em alto-relevo, aquele era o timbre real, balançando a cabeça confirmara a decisão, logo o Mestre se retirara dali deixando o vice-rei pálido como a neve que nunca existiu naquelas terras. A carruagem andando nas ruas do Rio de Janeiro, tocando o chão castigado pelo ir e vir das carruagens dos senhores abastados que ali moravam, se perdera em meio a forte neblina, de onde a carruagem se perdera apenas um cachorro vinha andando cheirando o chão e procurando por comida. A lua começara a perder seu brilho enquanto a neblina se dispersava, o sol já denunciava a sua vontade de se fazer presente doirando as cadeias de montanhas que compunha a bela cidade do Rio. O galo cantara e a cidade já dava sinal de vida.
Um enorme grito se fez ouvir na cidade, com a mão no coração o padre já ancião sai correndo para ver do que se tratava, chegando no local vira o seu sacristão a chorar de nervosismo, abraçando-o perguntara porque havia gritado tão fortemente, e o sacristão sem olhar para traz aponta o corpo ao que o padre olha logo faz o sinal da Santa Cruz e manda que o sacristão saia correndo para ir até a intendência informar o ocorrido, logo o crime tomara de conta da cidade assim chocando a todos e virando notícia de jornal. A comoção foi geral, o medo se fazia presente por toda a parte porém a notícia do dia era outra e foi ela quem tomou de conta do noticiário das primeiras páginas dos folhetins e jornais que circulavam na capital, a condenação de Tiradentes ao enforcamento em praça pública.

Todos comentavam e por todos os lados se fazia ouvir a sentença:

" O homem conhecido por Joaquim, o Tiradentes, assinara acordo no qual assumia para si e mais ninguém a culpa pelo movimento conhecido como Inconfidência nas Minas Gerais e por esse motivo fora condenado a pena máxima. Que seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca e nela morra de morte natural e depois de morto seja-lhe cortada a cabeça e levada a Vila Rica onde na frente do parlamente, por tanto na praça, seja colocada no lugar mais alto até que seja ela consumida pelo tempo. Seu corpo será dividido em quatro pedaços e pregados em postes nos lugares onde o infame tenha passado, a saber caminhos de Minas, no sítio da Varginha, e das Cebolas. Que assim seja, por tanto assino".

A população toda atônita ainda não havia presenciado tais circunstância, mal souberam da morte do rapaz na igreja e já havia um espetáculo público planejado pela coroa, com direito a cortejo e choro em praça pública. A comoção era geral, todos falavam e comentavam sobre tal decisão da coroa, e todos se perguntavam porque o jovem Joaquim pagaria pelos crimes de todos sendo que ele era tão inocente quanto a todos que foram para o degredo ou mesmo libertado e tiveram suas penas retiradas.

O púlpito cadafalso estava sendo preparado, a batida do martelo seguia o ritmo dos sinos da igreja que badalavam chamando para a missa da matina, os moradores passavam em frente à praça com olhares desconfiados muitas vezes trocando olhares de medo e terror diante daquele que seria o palco dos últimos momentos de vida de Joaquim. Naquele dia a relva das planícies estavam molhadas da neblina da noite, as nuvens ainda cobriam as cadeias de montanhas e planícies, o verde na floresta estava escuro, o mar começara a se agitar e a tocar com rudez estrondosa nas arrebentação, as gaivotas plainavam em voos rasantes por horas perfurando o mar em busca de seu alimento.

Era manhã já quando o algoz adentrara a sela na qual o condenado estava a esperar pelo cumprimento de sua sentença, largado ao chão levantou-se rapidamente curvando a cabeça aceitou levar-se antes colocando uma túnica branca, tendo as mãos amarradas dera os primeiros passos para o cadafalso. Na rua da Cadeia o sol já tocava-lhe a pele, o jovem talvez não entendesse mais o que estava acontecendo porém caminhava como se nada o atingisse, naquelas alturas a erva já estava fazendo seu efeito, o trajeto seguido de olhares que ao mesmo tempo demonstravam felicidade de temor, as ruas enfeitadas como para uma grande festa e era uma festa para o governo suprimir toda e qualquer tentativa de revolução e colocar medo em qualquer um que estivesse pensando em fazer o mesmo que Tiradentes. O trajeto todo seguido pelas orações do clero e das religiosas presentes, muitas foram as beatas que o acompanharam, pobres beatas de nada sabiam, e rezavam e cantavam e a multidão se aglomerava para ver o jovem rapaz, foi quando de frente a igreja de Nossa Senhora da Lampadósia pararam, o jovem sentira uma tontura e pedira para fazer uma oração.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A Ordem Secreta da Inconfidência Mineira - Parte II



A Ordem Secreta da Inconfidência Mineira

Parte II

Passado algum tempo o jovem Joaquim levando uma vida normal, com sua ascensão profissional ficara conhecido como Tiradentes, por causa das inúmeras extrações de dentes que fazia na Vila, alistara-se nas tropas da Capitania e logo virara comandante foi quando começara a ter um contato com os grupos que criticavam a exploração do Brasil por Portugal, ele não se contentava com pouco e o máximo que teve ao perder o posto de Comandante foi o posto de Alferes, com essa insatisfação pediu para sair das tropas. Um jovem cheio de energia, quando voltou para a Vila depois de suas inúmeras andanças, começou a falar pelos cotovelos contra o Reino e a favor da Independência de nossa Colônia. Enquanto Joaquim estava entretido com seu ideal de liberdade, os rumores na cidade de que algo estava acontecendo só crescia. Pouco ele quis saber do que acontecia, sua inteligência depois de suas viagens superavam a sua condição de homem simples e comum.

Um rapaz conhecido na cidade havia sido assassinado brutalmente em um ritual macabro de magia negra, que lhe tirara a pele do rosto e sete dedos de suas mãos. O corpo encontrado estava no meio de um círculo desenhado por seis velas e uma sétima vela fincada bem no meio de suas entranhas. Já era o quinto assassinato daquela forma, o primeiro fora de uma criança de apenas dez anos, o que chocara toda a população e que deixara a vila em estado de atenção. Joaquim não dera muita atenção a isso, julgava que era apenas uma coisa ao ocaso, apesar de julgar que isso fosse um caso para a polícia local e acreditava que a polícia logo daria uma solução a isso.

A noite foi chegando em Vila Rica como o ladrão que visita uma casa silenciosamente e sorrateiramente sem avisar, a lua cristalizada nas possas de água espalhadas pela rua denunciavam a chuva que insistentemente caíra durante aquele dia. Já madrugada na penumbra total dentro da floresta passos silenciosos se juntavam aos galhos que quebravam ao peso do corpo humano, os coelhos pulavam para o lado abrindo caminho para que passassem. 


As luzes vinham de todas as partes, eram luzes de velas que derretiam e geravam uma leve fumaça. Havia no meio da floresta fora de Vila Rica um vazio desconhecido da população, muitos tinha medo de ir lá pois comentavam coisas horríveis do lugar o que fez ainda mais a fama do local que era conhecido como a Boca do Inferno, ninguém sabia desse lugar e aqueles que sabiam fingiam-se não saber para não precisar pronunciar o nome nem em suas mentes, nesse vazio, o Boca do Inferno, havia uma enorme pedra com um símbolo de um circulo estrelado e seis bancos a frente dessa enorme pedra, e de cada canto da floresta sugira alguém usando uma capa vermelha com capuz cuja finalidade da capa era esconder o rosto, no capuz havia uma estrela de seis pontas encimado por uma meia-lua e no peito havia três estrelas duas embaixo e uma em cima bem no centro, traziam a cintura cingida por um enorme cinto de coro que deixava a frente cair até os joelhos e do lado esquerdo uma espada, pouco dava para ser visto daqueles homens suas enormes botas até o joelho cobria a parte de baixo e a única coisa em exposição que se via eram as mãos que seguravam a vela para iluminar a passagem, eram sete no total, o sétimo além da capa vermelha trazia em seu ombro um manto branco e no peito um colar prateado onde pendia a primeira letra do alfabeto grego, o sétimo foi o responsável por elevar oferendas aos céus e fazer as orações ao passo que os demais acompanhavam levantando nos momentos que era para levanta, sentando nos momentos que era para sentar e ajoelhando nos momentos exigidos, finalizando o Grande Mestre disse que todos os orientes e ocidentes estavam autorizados a falarem.

- Não há mais tempo, precisamos impedi-lo ou seremos descobertos! - Dizia o homem com uma voz rouca e assustadora, porém nela se percebia um medo escondido.

- Aquela louca quase revela o nosso segredo, esses mortais não merecem a nossa consideração, ela está lá, ela ainda não compreende o que está acontecendo, seu corpo está vazio e intacto porém o seu espírito não pertence mais a ele! Agora o jovem rapaz faz coisas das quais não se lembra, precisamos por um fim a isso antes que alguém descubra. Esses espíritos inferiores privados de seus corpos são um problema e por vezes ameaçam a nossa estadia nesse lugar. - Disse uma voz do meio dos seis, e todos concordaram entre sim.

- Tragam-me o corpo, ele já não tem mais utilidade nenhuma, não passa de uma matéria ocupando espaço na terra, certamente a moça já havia morrido há muito tempo. - Disse o grande mestre.

Após essa conversa deu-se início a uma espécie de ritual, onde aquele homem que estava a frente dos seis abrira um enorme caixão de pedra que fora posto ali mesmo naquele que seria o altar do sepultamento. O corpo a flutuar entre eles, intacto porém ainda quente pois se conservava normal e ausente de espírito, uma enorme adaga suspensa ao céu fora cravada no coração da jovem Gervásia, dizia-se que os espíritos inferiores quando foram expulsos do céu foram privados de seus corpos e condenados a vagar em um submundo onde o fogo era acesso permanentemente e que seu chefe tivera o castigo que merecia e fora aprisionado por mil anos. 

Em Vila Rica homens se reuniam na praça para darem início a um protesto contra o domínio português, a muito tempo Portugal mantinha um domínio exacerbado nas Minas Gerais e cobrava impostos demasiado altos demais e o povo se cansara disso, por toda a parte se ouvia os vivas a república antes mesmo de virar uma revolução a Inconfidência foi suprimida, e um decreto que suspendia a cobrança dos impostos fez por esvaziar as ruas e a vida voltar ao normal, porém a conspiração não poderia ficar impune aos olhos do vice-rei que logo espediu um despacho mandando que caçassem a todos aqueles que incitaram o movimento inconfidente.

No Rio de Janeiro, era madrugada quando ouvira o grunhido do gato, a lua em sua totalidade expelia por trás das montanhas o seu brilho vermelho prateado, o vento por vezes fazia redemoinhos de poeiras e sujeiras que na rua se amontoavam, noite seca e encalorada porém silenciosa e sorrateira, o mar em cólera reclamava estrondosamente na arrebentação. Portas batem, um corvo sob a cruz da Sé alça um voo para a cumeeira de uma casa, abre as asas e permanece no lugar, sai alguém daquela casa e vai caminhando pela rua, encontra ma outra pessoa que vem caminhando aleatoriamente de qualquer lugar, era um jovem rapaz que provavelmente vinha de uma dessas casas de mulheres fáceis, se aproximando do jovem pega-lhe pela garganta de um modo tão brutal que o jovem já cai morto expelindo sangue pela boca, um capuz escuro na cabeça esconde a pessoa que cometera o delito, e essa pessoa saíra arrastando o jovem rapaz até um lado escuro da Sé, onde ninguém os veria nem incomodaria, um rastro de sangue é deixado para trás. Seu primeiro ato fora despir totalmente o rapaz, depois esticando-lhe as mãos e os pés como na forma de uma estrela colocara próximo a cada membro uma vela acesa proferindo palavras desconexas e vazias de sentido, o corvo batera fortemente suas asas para uma árvore ali próximo e lá ficava a tudo observar, a mata silenciosa permanecera enquanto o ritual prosseguia. 

A pessoa tirara de dentro de sua vestimenta uma adaga prateada que ao brilho da lua refletira sob os olhos dela deixando-os a vista, era um jovem rapaz, levantando a adaga mirando-a ao coração desferiu um enorme golpe e segundos depois o coração já se encontrava em suas mãos foi quando deixando o capuz cair para traz seu rosto iluminado sob o luar se colocara a vista, era Joaquim, olhos totalmente perdidos e concentrados, olhos sem vida e sem brilho que mais pareciam sob a escuridão de tenebrosa neblina. Posicionando o coração sob sua face, estendera a sua língua e sentira o doce sangue que dali jorrava, abandonando o coração de lado desferiu um golpe nas entranhas do cadáver abrindo-o ao meio e lá enfiando uma vela que acessa fez o fogo crepitar velozmente e inexpressivamente, era alto o fogo que ali saltava e tocando a face de Joaquim dava um brilho vazio nos olhos roxos. O coração levara consigo e enterrara em um lugar qualquer, voltando para a casa onde estava hospedado lavou-se e as roupas jogou na lareira que logo em cinzas se transformaram. O corpo lá ficara abandonado, e o corvo voara para longe de forma a se distanciar de tudo porém com um destino certo.

Continua...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Conto: A Ordem Secreta da Inconfidência Mineira

Breve Introdução


E se um dos grandes nomes da Inconfidência Mineira tivesse sido possuído por um espírito maligno e a causa de sua execução não tivesse sido o fato de pertencer a um movimento popular e sim o fato apenas de uma sociedade secreta querer ocultar a presença maligna no corpo daquele homem? E se essa presença maligna ameaçasse a história de toda a humanidade? Bom, venha para dentro desse mundo de possibilidades e descubra o que acontecera à Joaquim o jovem Tiradentes antes e durante a Inconfidência quando o mesmo foi decapitado, esquartejado e teve seu corpo dividido e sua cabeça ocultada e nunca mais encontrada!


Todas as segundas você encontrará uma parte desse conto que está dividido em quatro partes, e a primeira parte é essa aqui:





A Ordem Secreta da Inconfidência Mineira

    O conselho se reuniu mais uma vez, e aquela seria a última vez já que estávamos a beira de uma intervenção no sistema governamental do país, o conselho sempre se reuniu apenas quando o mundo era ameaçado e quando essa ameaça envolvia a vida de muitos seres humanos. Choro e lágrimas por todos os lados, uma perna no poste, a cabeça em outro, e todos viam aquilo com pesar e temor. Foi necessário intervir, não havia mais outra opção era a vida de um ou de centenas de milhares em jogo. Era meia-noite, o latido do cão na rua foi a única coisa que ouvi, e as folhas das palmeiras da balançavam como se estivessem em um baile onde a música suave transcorre para o casal apaixonado, esse bailar das palmeiras em pleno verão era exceção já que chovia constantemente por essas bandas.

   O pobre Alferes Joaquim havia pagado por um crime que não cometera, tudo começou de uma forma inexplicável aos meus olhos mas que só agora ganhou sentido. Veja bem, Joaquim ainda era muito moço quando se tornou sócio de uma botica de assistência a Pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, muito apessoado porém um homem sempre humilde e de bom caráter, foi se dedicando a profissão de Dentista que ele fez sucesso com as mocinhas, dentre elas a bela Gervásia, ninguém nunca falou dela mas eu lembro bem de como ela era, uma moça daquelas de tirar o fôlego de qualquer rapazote mesmo em se tratando de um rapaz tão sério como Joaquim. Essa moça não tinha família, havia chegado por aqui sozinha, era uma moça desconhecida e sem procedência, Dona Anastácia, uma negra mucama de um senhor muito abastado de nossa cidade, acolheu Gervásia e deu-lhe todas as instruções para a vida. Dizia-se que ela não falava muito, era arisca, andava sem sandálias desde quando entrara na vila, por vezes foi chicoteada por Dona Anastácia para que aprendesse a se comportar como gente mas nunca aprendeu ou fingia-se não aprender, talvez essa moça selvagem na cidade fosse o sonho ou encantamento do qual todos os homens, inclusive os senhores casados, buscassem para satisfazer seu ego.

   Certa noite enquanto Anastácia dormia um mal súbito acometeu-lhe o coração, era uma noite de lua cheia, o galo ao soar da meia-noite cantara três vezes e no seu terceiro canto o último suspiro solitário da mulher que acolhera a moça misteriosa, se pode ouvir naquele quarto feito a pau a pique e murado pelos barros da senzala, distante da casa grande e dos demais escravos que habitavam a fazenda.

- Onde você estava menina que não viu a sua mãe morrer? O que fazia no meio do mato a essa hora? Por Deus menina arisca, bicho do mato, não esteve ao lado de sua mãe no seu último momento! - Disse Dom Antônio, o Senhor da fazenda onde moravam.

   A morte para Gervásia já era conhecida de longa data e não se deixara intimidade por Dom Antônio, ainda assim resolve não responder. Ao ouvir tais palavras ela saíra correndo para o mato, em cima de uma pedra ficara toda recolhida com seus braços sobre as pernas agachada indo e voltando se balançando, talvez pensando, talvez injuriando mas era impossível adivinhar o que se passava na cabeça dela, a única coisa que não entendia é o porquê de se encontrar em corpo tão frágil. Com o cabelo ao vento, lá estava sem verter uma lágrima, sob o luar prateado avermelhado daquela noite em que nem a coruja resolvera grunhir.

   Fora uma morte misteriosa de Dona Anastácia e ninguém comentava isso o que se comentava na cidade era que Gervásia havia-se embrenhado na mata e que desde então pouco se via a moça, alguns poucos caçadores comentavam que a viam entre os animais andando e falando sozinha.Joaquim ouvia sempre os comentários sobre ela, levava a vida indo nas casas dos pacientes e por muitas vezes os pagava falando sobre a moça que abandonara a sua mãe em seu leito de morte outras vezes quando estava na botica sempre alguém aparecia falando que a moça estava largada e abandonada no mato, foi ai que certa vez resolveu ir procura-la para ver se conseguiria tira-la da mata, a tentativa fora em vão não a encontrou e parte alguma da selva e já era tão tarde que resolvera voltar para casa, e já caminhando de volta ouvira uns gemidos, eram gemidos de dor, gemidos finos que se confundiam com o latido dos cães ali perto, ele resolveu ir verificar de que se tratava, chegando perto de uma enorme pedra coberta por folhas de coqueiro e uma cabana mal feita viu a jovem moça deitada se debatendo de dor, foi se aproximando calmamente e chegando mais perto ela se virou instantaneamente parada, com os olhos arregalados, ele saltou para trás do susto, foi quando os olhos dela começaram a se mexer, suas mãos faziam um movimento circular, Joaquim ao perceber que ela estava em transe saíra correndo dali assustado e prometera para si próprio que nunca mais voltaria ali, tarde demais o que tinha para ser feito já havia sido feito e de forma muito errada por força do destino.

Continua....

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Lançamento: Fantástica Literatura Queer

Lançada a primeira coletânea brasileira
de contos fantásticos LGBT



A Fantástica Literatura Queer traz histórias de ficção científica, fantasia e terror que tratam do universo de gays, lésbicas e transexuais, abordam amor, identidade, direitos e preconceitos. 

Em uma iniciativa inédita, a Tarja Editorial convocou escritores brasileiros a produzir histórias fantásticas que tratassem sobre diversidade sexual. O resultado desse projeto é A Fantástica Literatura Queer, coletânea em dois volumes que reúne 15 contos de ficção científica, fantasia e terror que contemplam o amor e o prazer, desafiam preconceitos e proibições, projetam um novo olhar sobre o universo de gays, lésbicas e transexuais, situando-os como heróis de suas próprias aventuras. 

Anjos e demônios, deuses e fantasmas, feras da noite e criaturas sobrenaturais, guerreiros e meros mortais são alguns dos personagens que protagonizam essas ficções tão diversificadas, cujas tramas se valem de reinvenções mitológicas, debates político-ideológicos, construções de utopias e distopias, e críticas aos meios de opressão sexual. 

Com organização dos escritores Rober Pinheiro e Cristina Lasaitis, a Fantástica Literatura Queer é uma iniciativa pela inclusão da temática LGBT na literatura de entretenimento e na cultura popular. Os livros contam ainda com o prefácio do antropólogo brasileiro Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia. 

Participaram 15 autores de diversos estados brasileiros, reunidos por um ideal comum: prestar uma homenagem ao amor entre iguais – “o amor que não ousa dizer o nome”, nas palavras de Oscar Wilde, e que nos dias atuais já não se limita a ficar calado.

LANÇAMENTO

O lançamento da coletânea A Fantástica Literatura Queer ocorre durante a programação dos eventos do Mês do Orgulho LGBT de São Paulo. A noite de autógrafos será no dia 24 de junho de 2011, a partir das 18h no Bardo Batata –gastronomia e cultura, com presença confirmada dos organizadores, editores e escritores do livro e com participação especial do antropólogo Prof. Dr. Luiz Mott.
Bardo Batata - Rua Bela Cintra, 1333 – Jardins – São Paulo/SP Tel: (11) 3068-9852. (Entrada Franca)

Ficha Técnica:
Título: A Fantástica Literatura Queer –
Volume Vermelho
Autoria: Cristina Lasaitis, Alliah, Camila
Fernandes, Cesar Sinicio Marques,
Rogério Paulo Vieira, Monica Malheiros e
Laura Valença Guerra 
ISBN: 978-85-61541-30-9
Edição: 1ª edição
Páginas: 178
Formato: 14x21cm
Ano: 2011
Preço de Capa: R$ 29,00

Título: A Fantástica Literatura Queer –
Volume Laranja
Autoria: Rober Pinheiro, Osíris Reis,
Cláudio Parreira, Eric Novello, Renato A.
Azevedo, Cindy Dalfovo, Daniel Machado
e Kyran
ISBN: 978-85-61541-31-6
Edição: 1ª edição
Páginas: 178
Formato: 14x21cm
Ano: 2011
Preço de Capa: R$ 29,00




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terça-feira, 24 de maio de 2011

Conto: A Casa Colonial

Por Jandeilson Bezerra
 Em uma casa típica carioca do bairro de Santa Teresa, colonial, com aspectos herméticos que sugeriam a primeira vista um lugar não muito frequentado, algo parecia sempre acontecer a noite. A casa em si era escura, uma pequena torre ponte aguda pendia ao centro dela, suas janelas eram pequenas, vidros sujos de poeira e teias de aranha, incluindo entre as janelas uma que estava quebrada e que de vez em quando em noites de chuva ruía e batia quando ventava forte. A casa estava no alto de uma montanha, rodeada de árvores, uma grande cerca de arames, um cachorro que ficava indo e voltando de ponta a ponta da cerca, com sua língua para fora, a espreita do primeiro atrevido que ousasse por aqueles arames passar.


 Era verão a época, já noite três belas jovens passavam ali perto, subindo a ladeira dos Tabajaras, a primeira se chamava Lorena, cabelos longos e dourados, pele macia como a seda, de estatura mediana, vê o cachorro do outro lado da cerca que já vem se precipitando sobre ela e começando a latir, ela grita e assusta as suas amigas, juntas dão um paço para trás, Beatriz que era morena, corpo torneado e lindos olhos cor de mel exclama auto que se assustou com a amiga e diz não compreender tanto escândalo. A outra, mais baixinha de todas, a Elisa, que geralmente gostava de usar roupas mais longas e sapatos mais altos, diz que o cachorro não a assustou mais do que o grito de sua amiga Lorena. O cachorro latia enquanto as amigas já assustadas se agrupavam uma colocando o braço cruzado na outra de forma que ficaram as três unidas, e tornaram a caminhar seguindo o seu trajeto sempre acompanhadas pelos olhos cintilantes do cachorro, caminham com uma certa serenidade, ainda não haviam avistado a casa no alto do morro, até que Beatriz a vê e diz:


- Nossa que casa mais treva. Fiquei toda arrepiada!
- É verdade. Toda escura por fora, né?! - Responde Elisa.

 Os passos das moças ficaram mais lentos, a respiração delas parecia mais ofegante que o normal, Lorena olha para traz e se dá conta que o cachorro não mais as observa, em compensação vê que tudo está escuro atrás, sente medo, segura mais fortemente no braço direito de Elisa que é quem está no meio e sem falar nada para não assustar suas amigas segue o caminho. O vento daquela noite de verão ficou de repente mais frio, a velocidade com que as palmeiras imperiais que haviam ali na calçada, suas folhas balançavam parecia ter aumentado, sem perceber a linda Beatriz chuta uma pequena pedra, o barulho a assustou, ela de súbito aperta o braço esquerdo de sua amiga, nada fala também. Ao ouvir o barulho Elisa rapidamente olha para trás e nada vendo olha a frente, sente-se tentada a olhar mais uma vez para trás e pensa consigo que estão sendo perseguidas, mas logo respondendo a si própria diz ser impossível já que o cachorro não latiu. Elas continuam caminhando, mas a caminhada era lenta, parecia que passar em frente aquela casa era uma missão que nunca terminaria.

 As moças encolhidas, já amedrontada cada uma individualmente, seguem caminhando sem deixar qualquer coisa transparecer uma para as outras. O silêncio era grande, barulho mesmo só o do vento quando tocava nas cumeeiras da casa no alto do morro. E começou ali, naquele momento, sem que elas nem tivessem percebido pois estavam já tão assustadas que sequer perceberam o bailar excessivo também das palmeiras imperiais.



 As nuvens no céu começaram a aparecer, surgiam de todas as partes, as estrelas e a linda lua que estava em seu ápice começaram a sumir entre as nuvens. O véu paladino do escurecer começou a tomar de conta de toda a rua, a torre da casa parecia estar rodeada de nuvens, sua ponta mais alta desapareceu, não se podia ver, e antes o que parecia assustador se tornou ainda mais assustador do que o normal. O vento ruía, ruía, ruía sem parar. As jovens moças pareciam estar perdidas em um caminho sem volta, e voltar era o que menos queriam naquele momento.

   Eis que de repente uma das janelas abre-se lentamente, as moças nada percebem pois a escuridão tudo escondia.O vento mais forte bate a janela, o vento silencia e o som se propaga até os ouvidos de Lorena, Beatriz e Elisa. Elas param de súbito onde estão. Uma olha para a outra, apavoradas, sem voz, os braços que antes estavam cruzados já não mais cruzados estavam, uma pegava na mão da outra. Começaram a correr. O vento retorna com toda a sua força, a janela começa a ruir, um ruido estridente junto ao vento, que mais pareciam uma nota fúnebre, enquanto as moças corriam. Elisa cai, seu salto quebra-se em meio a toda aquela confusão. O seu coração dispara, olhando fundo na ladeira ver uma sobra, sente uma sensação horrível, e exclama:

- Meninas viram aquilo? - Aponta com o dedo – estamos sendo perseguidas por alguém.

   Tira os sapatos, levanta e continuam correndo, assustadas. Na ponta da cerca, Beatriz vê de longe algo na cor prata, eram duas bolas pequenas reluzentes, de repente o cão se precipita sobre a cerca e começa a latir, todas gritam apavoradas, correm, não sabem o que fazer, aquele momento parece não ter fim. Ouvem paços, que se misturam aos ruídos estridentes da janela, e ao barulho excessivo do vento tocando na cumeeira da casa. Os passos parecem acelerar, elas correm mais do que nunca, rapidamente chegam na casa de Beatriz, ela não consegue colocar a chave na fechadura, a chave cai, Elisa pedi a ela que seja rápida, ela não consegue pois está tremendo muito, Lorena toma a chave da mão dela, coloca na fechadura e abre o portão, entram correndo, fecham o portão, entram dentro de casa trancam a porta, ofegantes na respiração, Elisa já chorando e apavorada. Todas sentam ali mesmo no chão uma olhando para a outra, ainda com medo. A casa escura, nenhuma luz acessa, de repente:

- Alguém? - Exclama o pai de Beatriz.

   Todas gritam sem pensar, apavoradas, o pai se assusta e logo acende a luz, olha as moças e preocupado pergunta o que aconteceu. As luzes do segundo andar se acendem, descem para a sala a mãe de Beatriz e seu tio, perguntando o que estava havendo ali, e quais eram o motivo de tanta gritaria.


 A lua toma o seu lugar no céu, cheia e rosada. As estrelas aparecem, enfeitando o infinito de modo que mais parece um lindo cobertor de diamantes. O vento se torna uma brisa suave. As jovens estão lá na cozinha tomando água e explicando o ocorrido.

   Eram nove horas da manhã, Dona Ana grita para que todos acordem pois o café estava na mesa. As moças são as primeiras a descerem, ainda comentando sobre o ocorrido da noite anterior, e afirmando uma para as outras que não conseguiram dormir pensando no corrido. O jovem Luiz, irmão de Beatriz entra na sala de café:

- Bom dia meninas!
- Bom dia mano - responde Beatriz.
- O é, o que ocorreu ontem a noite que vocês estavam correndo e gritando assustadas na ladeira? Vocês não          me reconheceram não é? Eu estava logo atrás de vocês, suas loucas!

   Elas olharam entre sim e todas começaram a rir.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sexta Feira Treze Parte Final



- Quem está ai? Quem está ai? - Insistiu.

Ninguém havia na casa, porém aquela percepção de um espectro sob a luz me dava a certeza que alguém lá estava, mas não era, o espectro avançava silenciosamente na escuridão de minha casa, minhas pernas tremiam, o corpo todo estava agitado o tempo parecia não passar, foi então que vou um uivo fino e melancólico. Sai correndo descendo escadas abaixo procurando um lugar no qual pudesse esconder-me, abria uma porta, o suor descendo frio, abria outra foi quando achei a porta do armário, lá mesmo me escondi, procurei algo que pudesse iluminar e por sorte achei uma lanterna, acendi para vero o local onde estava mas rapidamente apaguei quando ouvi os passos. Pela fresta do armário dava para ver qualquer coisa que passasse, mas nada vi.

Lá fora a ventania sorrateiramente forçava o arame a bater na barra de metal que havia no poste, o barulho era infernal e por horas meu coração acelerava e a respiração ficava ofegante. Pensei ser tudo aquilo obra de minha imaginação, mas logo que escutei lá na cozinha as panelas tilintando eu sabia haver alguém em casa, quem poderia ser? Estava com medo, estava sozinho em casa. Logo veio na mente o pensamento do gato preto, fora ele que me trouxera todo aquele azar. Resolvi então sair do armário e andar pela casa silenciosamente na busca do que estava a me incomodar, na ponta do pé me dirigi até a coisa, com a lanterna a meia-luz fui caminhando cuidadosamente e a medida que me aproximava do cômodo onde ele poderia estar o cuidado era redobrado, chegando hesitei em colocar a cabeça para ver mas fui na ponta do olho procurando pelo algo que lá poderia estar, vi que nada havia na cozinha, dei uma volta procurei nos possíveis lugares onde poderia estar escondido e nada, a cozinha parecia estar em ordem, as portas trancadas, pensei que nada poderia ser, mas porque eu ainda estava com medo? Então continuei a minha busca dentro de casa.



Sai da cozinha e fui-me dirigindo a sala, inquietamente por dentro de minha alma eu sentia que a qualquer momento algo poderia acontecer, estava com medo, no momento que coloco o pé direito na sala me deparo com o sofá uma ventania forte se fez e bum fez a janela na sala, olhei rapidamente para traz e para os lados, o que poderia ser? Me arrepiei dos pés a cabeça e tremi a alma me aproximei da janela e percebi que a ventania a forçou a bater, havia esquecido de fecha-la, sempre verifico as janelas antes de ir dormir mas naquele dia em especial não as fechei. A ventania lá fora continuava de tal modo que o vento ao tocar na cumeeira de minha casa cantava aquele seu canto indiscutível das cidades pequenas canto que abrilhanta as pequenas cidades porém naquela noite em nada estava abrilhantando ou contribuindo para o meu sossego, era mais um barulho informal que o canto do vento.

As horas dentro daquela casa pareciam não passar, a todo momento eu olhava no relógio e percebia que o ponteiro não saia do lugar. Fechei bem as janelas, verifiquei as portas e tudo estava normal como diariamente, nada passara por ali, olhando pelo reflexo da janela percebi mais uma vez uma sombra se aproximando tomando uma forma espectral corri para o armário que estava ali próximo com a finalidade de me proteger, fiquei lá mais uma vez quieto com a respiração ofegante pedindo a Deus para que passasse logo aquele momento e nada, a sombra se foi, resolvi sair do armário e olhando para as escadas fui subindo degrau por degrau, eram apenas seis degraus mas que demorei uma eternidade para subi-los pois tinha que ter cuidado para não denunciar minha presença ao meu algoz. Subia um degrau e parava, olhava para traz e para frente e nada, subia outro degrau e repetia o ritual calmamente e nada. Cheguei no corredor que dava para os quartos, fui verificando de um a um e nada de encontrar qualquer vestígio que fosse de que havia uma presença ali, até que ouvir um barulho estrondoso mais uma vez, a luz tentou voltar, vi um enorme clarão na rua que de susto me agachei pensando ser algo dentro de minha casa mas vi que não era então voltei a minha postura normal, eram faíscas que saiam do poste lá fora, agora eu tinha certeza de que naquela noite a energia não mais voltaria. Maldito prefeito, pensei, uma coisa tão simples e ele poderia resolver no mesmo dia, aquilo era a menor das preocupações dele mas ele que nunca mandava alguém para concertar aquilo.


  Barulhos constantes vinham do sótão, pareciam com o arrastar de caixas o chão, entrei no meu quarto peguei então um taco de beisebol, nunca joguei esse esporte apesar de admirar mas o taco eu havia ganhado de meu sobrinho que fez uma viajem ao Canadá, com o taco na mão me encaminhei sorrateiramente até as escadas do sótão, subi e quando coloco a cabeça na porta do sótão nada vejo, tento iluminar mas aqueles barulhos de caixas se arrastando cessaram, fui verificar mais perto e nada, me viro de repente para ver o que passou por traz de mim e bum, uma enorme pilha de caixas cai sobre mim, tento me colocar de pé rapidamente chutando as caixas e saio correndo, lá fora o arame castiga o poste, meu coração acelera, tento colocar força nas pernas e não consigo, a respiração fica ofegante, diante da porta tento abri-la mas as chaves não rodam, olho para um lado e para o outro e nada consigo para me esconder, as mãos começam a tremer, as janelas estão fechadas, me pergunto o que fazer, corro para o armário, acabei esquecendo do taco e da lanterna, e agora, tropeço sobre o sofá logo me recomponho e chego no armário, me fecho, tento ver algo na fresta e nada, o coração parece querer saltar para fora procuro acalmar-me, mas nada vejo.Perdido na escuridão dentro do armário me vejo, e ninguém para me acudir, até que tive a ideia de pegar o telefone e ligar para a polícia, aquilo não era normal, impossível tantas coisas acontecerem na calada da noite e não ser alguém, antes fiquei tentando relembrar se eu havia feito algo de errado com alguém mas logo cheguei a conclusão de que não tinha inimigos, então coloquei a cabeça para fora com a finalidade de ver se alguém estava ali e nada, me dirigi até o telefone na sala e puxando-o do gancho constatei que não havia linha, provavelmente o estrondo que houve no posto deve ter prejudicado de algum modo a linha do telefone. Lá fora a ventania parara e a chuva começara a cair frescamente e depois aumentando o se volume, foi quando ouvi um trovão.

Era só o que faltava, a única coisa que me restava fazer era subir para o meu quarto e tentar mais uma fez fazer uma nova busca nos quartos e no sótão, e foi o que fiz, quando mais uma vez eu vi o espectro avançando sob a lua, dessa vez ele não vinha em minha direção com os olhos fui seguindo o espectro e o vi se escondendo no sótão, subi lá na esperança de que veria algo, procurei por todos os lados e nada encontrei em meio aquela escuridão, vi uma caixa se mexendo, de súbito o coração começou a pular mas tentei me aproximar, foi então que ouvi um miado. Me aproximei para ver o que era e para o meu espanto era uma gata com três filhotes recém nascidos, a gata preta que me perseguira desde a casa velha.


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domingo, 8 de maio de 2011

Sexta Feira Treze - Parte I


Sexta Feira Treze - Parte I

Estava andando pela rua das Laranjeiras no bairro de mesmo nome aqui no Rio de Janeiro, incrível como tudo mudou, os casarões velhos da época de meus avós deram lugar a enormes prédios e arranha céus que mais parecem que vão cair por cima de nós do que qualquer outra coisa, em nada lembram a bela construção aristotélica da Acrópoles.

A noite é muito convidativa, e nas laranjeiras não perdeu o seu ar de mistério ou silencio, o fato é que continua lá escondido por trás daquelas construções de concreto. Com elas ou sem o bairro não perdeu seu charme, continua o mesmo da época de Machado de Assis, em algumas ruas é possível ver algumas construções antigas, imaginar o grande acadêmico vislumbrando seus contos.

E foi andando a procura de uma dessas ruas que entrei na rua Imaruí, não havia imaginado que aquela rua fosse tão escura, iluminada apenas por um poste, a rua era pequena e tinha mais ou menos uns quinze casarões e um enorme prédio fincado bem no meio, a única coisa que é capaz realmente de tirar o charme de lá. Em cada casa havia uma árvore, fui caminhando e observando cada uma, os portões antigos, as varandas com detalhes em azulejo, até que ouço um uivo, era o uivo de um cachorro, nossa fiquei todo arrepiado, mas continuei observando os casarões, alguns até abandonados estavam, ignorei o uivo pois pensei que ali havia a possibilidade de alguém ter um cão em casa.

A casa de numero 102 foi a que mais demoradamente fiquei a analisar, a data de sua construção estava afixada na faixada de 1885 um ano depois de nossa primeira constituição segundo a batuta do imperador Pedro II, ela era muito significativa mas aparentemente estava abandonada. A sua cor era azul e branco, estava toda desbotada, a abobadada mais parecia um circulo do que um vaso, nas telhas podia ser ver buracos enormes, precipitei-me sobre o portão, a luz do poste piscou duas vezes e apagou, a rua que já era escura ficou mais escura ainda, percebi que já era hora de ir pra casa com a promessa de que viria um outro dia para ver o estado real da casa e tentar aos menos descobrir dos vizinhos quem era o dono. Já caminhando pra casa, ainda na rua Imaruí, percebo uma sombra enorme se aproximando de mim, isso era possível pois a lua naquele dia estava cheia e possibilitava uma luminosidade prateada e singela, o seu brilho tocava a terra que se refletia na vasta escuridão prateada da rua. Cada vez mais que eu me aproximava da sombra e ela de mim percebi diminuir, e foi assim até nos encontrarmos, nossa era um enorme gato preto com seus olhos brilhantes, ele olhou-me ronronando, fiz o sinal da Santa Cruz e sai sem sequer olhar para traz, aquilo não era bom, era um sinal de mal presságio, fiquei me questionando o porque logo comigo.

Fui pra casa correndo, eu era muito supersticioso e me sentia muito preocupado quando isso acontecia, chegando em casa peguei logo um galho de arruda fui até meu quarto tirei toda a roupa em seguida peguei um roupão e fui direto pro banheiro. Na banheira já cheia joguei as folhas de arruda esperei alguns minutinho e me joguei dentro com a esperança de afastar de mim todo aquele mal presságio que havia sentido. Ainda ouvia o ronronado dele, parecia querer falar algo, algo que meus olhos não viam ou que ainda não sentia. Minha mão trêmula caminhava sobre o meu corpo em busca de qualquer lugar seco onde a água não houvesse tocado, o medo tomara conta de mim.

Ouço ruido inigualáveis, umas das janelas de meu quarto começaram a bater sistematicamente, levantei-me e fui fecha-la mas para meu espanto lá estava ela fechada e as cortinas pareciam do modo como deixei antes de deitar-me na cama, a imagem do gato preto voltou em minha mente, por um momento pensei ser um sonho mas logo lembrei que não era, os sinos da igreja badalavam a meia noite, meus olhos deslizando sobre o calendário que estava na parede denunciaram que era sexta feira treze, fiquei todo arrepiado, a sensação era de que aquela noite não seria boa, joguei-me na cama embaixo de meus edredons procurei ao máximo me confortar e dormir mas estava difícil, em frente a minha casa havia um poste e no poste uma espécie de arame que castigava-o a todo momento, eu já havia ligado para a prefeitura umas dez vezes para que eles viessem resolver o problema mas a resposta era sempre a mesma de que um dos funcionários passaria por lá para resolver o problema e assim se foi a semana.

A ventania que estava fazendo naquele início de noite de sexta feria contribui para que o arame batesse constantemente no poste e com violência de modo que em um dado momento ouvi um estrondo seguido de uma queda de energia. Minha casa ficou totalmente escura, e eu já entrando em estado de insônia tive que me levantar para acender uma vela. Caminhando dentro de minha casa, modéstia parte muito bonita, no meu corredor todo em madeira colonial, a claridade que da janela dava para o corredor foi que iluminou o caminho, percebi então meio que um espectro avançando sobre a luz.


Imagem: http://www.imotion.com.br/imagens/details.php?image_id=5207


quinta-feira, 28 de abril de 2011

"O Baronato de Shoah" de José Roberto Vieira


O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio é o romance de estreia de José Roberto Vieira, uma emocionante aventura épica em um mundo fantástico e sombrio. Passado, presente e futuro se encontram com a cultura pop numa mistura de referências a animações,quadrinhos, RPG e videogames.  Considerado o primeiro romance nacional pensado na estética steampunk, o mundo de O Baronato de Shoah une seres mitológicos como medusas e titãs a grandes inventos tecnológicos.

Desde o nascimento os Bnei Shoah são treinados para fazerem parte da Kabalah, a elite do exército do Quinto Império. Sacerdotes, Profetas, Guerreiros, Amaldiçoados, eles não conhecem outros caminhos, apenas a implacável luta pela manutenção da ordem estabelecida.

Depois de dois anos servindo o exército, Sehn Hadjakkis finalmente tem a chance de voltar para casa e cumprir uma promessa feita na infância: casar-se com seu primeiro e verdadeiro amor, Maya Hawthorn.

Entretanto, a revelação de um poderoso e surpreendente vilão põe Sehn perante um dilema: cumprir a promessa à amada ou rumar a um trágico confronto, sabendo que isso poderá destruir não só o que jurou amar e proteger, mas aquilo que aprendeu como a verdade até então.

Sobre o autor:
José Roberto Vieira
Nasceu em 1982, na capital de São Paulo. Formado em Letras pela 
Universidade Mackenzie, atuou como pesquisador pelo SBPC e CNPQ, 
atualmente é redator e revisor. Teve contos publicados na coletânea 
Anno Domini – Manuscritos Medievais (2008) e Pacto de Monstros 

O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio
Autor: José Roberto Vieira
ISBN: 978-85-62942-19-8
Gênero: Literatura fantástica - romance
Formato: 14cm x 21cm
Páginas: 264 em preto e branco, papel pólen bold 90g
Capa: Cartão 250g, laminação fosca, com orelhas de 6cm
Preço de capa: R$ 46,90
Editora: Editora Draco

terça-feira, 12 de abril de 2011

A Tentação







Certa vez estava andando pela praia de Copacabana, a orla é muito visitada, e sempre tem turistas passeando por lá, tirando fotos, ou mesmo parados nos quiosques bebendo uma cerveja e apreciando a vista que a noite tem um charme especial, mas nesse dia não havia movimento, até mesmo porque já era tarde da noite, e apenas os carros passavam com seus faróis cintilando naquele neblinar decrepito que tomava de conta do lugar as vezes atrapalhando a visão.

Caminhando sobre a areia, coisa que sempre fazia desde criança já que minha mãe me ensinara que caminhar na areia do mar tanto enrijecia a panturrilha como também era terapêutico já que por vezes nos fazia esquecer de nossos problemas - o que era muito agradável - , descalço de qualquer pensamento que naquele momento pudesse me torturar, pude refletir sobre diversas coisas de minha vida, e no vazio daquele momento de reflexão algo começou a atormentar o meu corpo, um formigamento constante trazia consigo o pânico e a escuridão. Um suor frio começou a me tomar, não sentia qualquer movimento, e apenas a minha mente estava ali, em um piscar de olhos sem que eu percebesse o meu corpo estava a, caminhar pois tinha vontade própria. Estava na água que batia ferozmente sobre meu peito, as ondas constantemente vinham e cada vez mais com violência tão rústica chegando ao ponto de seu barulho ressoar ecoando em toda a orla. pensei: “ - Meu Deus o que estou fazendo aqui?” logo compreendi que era uma tentação demoníaca, algo tão perverso estava por trás daquilo tudo, de tal forma que naquele  instante queria se apossar de mim. Essa tentação começara a tomar formas se mostrando na pele de um homem de tão bela aparência, contornos angelicais, lábios úmidos como a brisa da noite e olhos galácticos que nos fazia mergulhar na mais íntima experiência de uma viagem às estrelas, nada me fazia pensar senão naquela beleza. Estava tão atento as perfeições doadas por Deus àquele belo rapaz, dádivas únicas dos seres celestiais, mas ali habitava algo que não era compreensível aos olhos humanos, havia algo estranho que se aperfeiçoava ao gelo e úmido momento que vivia, a maldade que me fazia imaginar, que mais se confundia com a realidade chegando de meus olhos a arrancar lágrimas de sangue, lágrimas essas que percorriam, em vida própria, do meu rosto ás minhas mãos e se misturavam ao mar, infinitamente atroz e vil.

Enquanto meu corpo jazia no total abandono de suas vontades, a minha mente incendiantemente era invadida por tormentos longínquos, que vinham como em ondas que se iniciavam silenciosamente e ao quebrar na arrebentação causavam todo aquele incomodo barulhento longe do encantar diário das ondas. Naquele dia em nada de belo havia a arrebentação, era tão ensurdecedor, raramente conseguia pensar algo realmente sério a não ser na tormenta daquela invasão, até que em um momento algo aconteceu, o silencio total se fez, e ele estava visitando os meus pensamentos mais íntimos.

Sua boca era como uma caverna de aparência gélida e fria porém quando penetrada mais a fundo se tornava um antro de conforto e aconchego, inconfundível era o som que dali saia, no primeiro momento aterrorizante mas depois suave, que mais lembrava a concubina satisfazendo o seu amante. Não havia nele desgraça senão a terrível graça que trazia consigo, capaz de dominar a todos em um simples olhar. E seus olhos momentaneamente eram como o fogo que ardia sem cessar, mas um fogo que não queimava e sim iluminava parte do corpo e momento da mente que revelavam o mais íntimo de qualquer ser que sentisse desejos. E desejos era o que fazia sentir quando sua mão se esvaia sobre a pele suave e humana que mais fraca era quando fora da presença luminosa.

Penetrar mais intimamente na caverna era chegar até o lugar de onde brotava aquele fogo incessante que confortava, era chegar no mais úmido do íntimo instante e nele mergulhar em uma aventura de dor, abandonar a esperança e seguir vagueando o rio Ades.
Vi jorrar de uma de suas mãos o sangue de minha culpa, o trágico desejo de ser o que não era até então desejo, foi ai que quase já abandonando a esperança pude sentir a fortaleza quando no céu contemplei as três ave-marias. Ela a grande Dama veio em meu socorro, trajando um enorme vestido branco onde a calda se confundia com as estrelas do céu, a lua embaixo de seus pés e nas suas mãos uma espada, travando assim uma luta incensante onde o meu corpo sentia cada dor quando a espada dela tocava aquele ser que me possuía. O mal se afastou de mim, meu coração acelerado doía apertado, com marcas fiquei daquele instante onde os meus braços e costas serviam como escudo, e chorando permaneci por algum tempo mesmo depois que tudo aquilo se passou. Meu corpo não aguentava as dores daquele castigo, enquanto a água diminuía lentamente e se afastava de mim, eu  ria daquele momento não fortuito.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Agenda: III Prêmio Litteris de Cultura


Agenda

Um prêmio de sucesso! De muito sucesso, diga-se de passagem. Nascido em 2005, a primeira edição do Prêmio Litteris de Cultura teve mais de 4 mil inscritos. A segunda versão, em 2007, teve livros em formatos diferenciados (21cm x 21cm) e também mais de 5 mil inscritos. 


Nessa terceira versão, o III Prêmio Litteris de Cultura espera poder continuar a estimular a escrita entre os novos autores brasileiros e revelar nacionalmente outros expoentes e talentosos poetas, contistas, cronitas etc. Se você não teve a oportunidade de participar das versões anteriores, não deixe passar essa: Para participar do III Prêmio Litteris de Cultura, basta seguir o calendário de temas e enviar as suas obras.

O link do site é: http://www.litteris.com.br

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Confusão na Praia



   Um dia de sol muito bonito e um calor escaldante, a praia estava bombando. Para André era indiferente o calor ou o tempo frio pois para o surfe não tem tempo ruim, e sua praia se chamava São Conrado. Morador da Rocinha tem que enfrentar diariamente as escadarias e becos da Rua 2 para chegar até a praia. Naquele dia vestiu-se com uma simples bermuda e sandálias, pegou sua prancha colocou debaixo do braço e saiu todo animado para surfar. No caminho cumprimenta alguns amigos, muitos estavam indo trabalhar, e aquele dia era o dia de folga dele. Chegando na Rua do Boiadeiro, lugar agitado pelos famosos moto-táxis que circulam levando os moradores a parte mais alta da favela, se depara com uma notícia desanimadora que passava no telejornal, tratava-se de uma menina que estava tomando café em sua casa quando chovia muito na cidade, a casa dela desabou e ela fora esmagada pelos escombros. De uma forma ou de outra aquilo impressionou André, ficou muito triste pensando na situação que poderia ocorrer com qualquer um inclusive com ele, a vida é como a chama da vela, o vento mais fraco pode apagá-la.

   Chegando na praia ainda impactado pela notícia da TV, tira o bermudão, coloca o pé de pato, e sai correndo para nadar. Veio uma onda e outra, mas nenhuma dava o impulso necessário para surfa-la. Quando ele já estava ficando sem esperança eis que veio se formando uma onda, perfeita, e nela André foi, pegou o impulso necessário, deu tudo certo. Formou-se um cone enorme, de mais ou menos dois metros de altura, ele no meio surfando extasiado cheio de adrenalina só conseguia gritar. No momento que a onda quebra, a prancha sobe partida ao meio.

   André acorda em uma ilha deserta, era noite, assustado começa a gritar por ajuda, percebe que não há ninguém na ilha que está sozinho. Mas como poderia ter vindo parar ali se ao que lembra ele estava em São Conrado surfando? E que ilha era aquela que nunca ele havia visto? O fato é que começou a procurar por ajuda.

   Entre umas olhadas e outras não vê nada, se assusta com o bater das asas de uma coruja que ali estava. Um vento frio transpassa a sua pele, algo estava acontecendo, arrepia-se mais de uma vez seguida. No escuro total e vazio daquela ilha sente calafrios, era como se estivesse sendo observado, e de fato olhos estavam a espreita, observando cada passo, farejando o medo, na solidão a intensidade dos sentimentos são triplicadas por sensações de abandono. Eis que houve galhos como se estivessem partindo, vira repentinamente para trás pensando que algo estava acontecendo, mas não passou de um alarme falso, já que o seu predador é invisível. O uivar de lobos dá conta de que ele não é bem vindo no lugar, começa a caminhar pela praia em busca de um abrigo. A busca por um local para descansar é interminável, dá voltas e voltas pela ilha mas sempre termina no mesmo lugar, é como se estivesse perdido em uma dimensão. Ouve passos e vozes, fica de pé, a esperança retorna ao seu coração, se anima seu semblante muda, mais corado sai correndo e gritando pedindo ajuda, falando que está perdido, e gritando por socorro. Logo percebe que as vozes que ouve não são comuns, não compreende, em silencio vai se aproximando, percebe iluminação e ao passo que se aproxima percebe que estão cantando e esculta batidas de tambores, sem querer pisa em algo que faz um barulho ensurdecedor, era um pequeno cachorro, pega-o, os nativos da ilha o escultam percebendo que estão vindo em sua direção sai correndo com o cachorro nos braços, os nativos correm atrás dele, enquanto ele desesperado leva consigo o pequeno cão. Corre velozmente, a chuva começa a cair sobre a ilha, pensa consigo que essa seria a última coisa que poderia acontecer, entra em uma trilha e se depara com uma pequena montanha, ali é o ponto final, não há pra onde correr. Os nativos se aproximam, armados de lanças e arcos prontos para atacarem a presa, parados diante dele, não havia mais para onde correr, o pegaram amarram-no e levaram para o local do sacrifício, estava totalmente amarrado, não sabia como se desprender, era o fim de tudo. Totalmente desnorteado pela situação, sem nem mesmo entender como foi parar ali ele se entregou, foi ai que viu-se sugado por uma força sobrenatural.

- Acorda! - dá dois tapas no rosto dele - Respira! Força, vamos, força!

   Tossindo tentando respirar acorda em meio a uma multidão, com salvas vidas na sua frente, não compreendendo, esculta vozes de longe falando que a prancha dele havia se partido ao meio e que ele simplesmente tinha se afogado. Ai sim começou a se recordar do que havia acontecido.

   Chegando em casa ainda desnorteado, tanto pelo sonho confuso quanto pelo seu afogamento, ao abrir a porta se depara com um pequeno cachorro que veio correndo em busca de seu carinho, ajoelha-se e percebe que é o cão de seu sonho, parado ali mesmo não consegue encontrar respostas para o acontecido.