Ciranda Elo das Letras de Poetrix

O poetrix é um terceto, "poema com um máximo de trinta sílabas métricas, distribuídas em apenas uma estofre, com três versos e título".

Ifrit O Despertar de um Demonio

Entrei no metrô direto para o prédio Vargas 2 que fica na Rua Presidente Vargas, a estação é em frente ao meu trabalho e como sempre o metrô estava lotado..

A Ordem Secreta da Inconfidencia Mineira

E se um dos grandes nomes da Inconfidência Mineira tivesse sido possuído por um espírito maligno e a causa de sua execução não tivesse sido o fato de pertencer a um movimento popular e sim o fato apenas de uma sociedade secreta querer ocultar a presença maligna no corpo daquele homem?

Mostrando postagens com marcador gato preto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gato preto. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de maio de 2011

Conto: A Casa Colonial

Por Jandeilson Bezerra
 Em uma casa típica carioca do bairro de Santa Teresa, colonial, com aspectos herméticos que sugeriam a primeira vista um lugar não muito frequentado, algo parecia sempre acontecer a noite. A casa em si era escura, uma pequena torre ponte aguda pendia ao centro dela, suas janelas eram pequenas, vidros sujos de poeira e teias de aranha, incluindo entre as janelas uma que estava quebrada e que de vez em quando em noites de chuva ruía e batia quando ventava forte. A casa estava no alto de uma montanha, rodeada de árvores, uma grande cerca de arames, um cachorro que ficava indo e voltando de ponta a ponta da cerca, com sua língua para fora, a espreita do primeiro atrevido que ousasse por aqueles arames passar.


 Era verão a época, já noite três belas jovens passavam ali perto, subindo a ladeira dos Tabajaras, a primeira se chamava Lorena, cabelos longos e dourados, pele macia como a seda, de estatura mediana, vê o cachorro do outro lado da cerca que já vem se precipitando sobre ela e começando a latir, ela grita e assusta as suas amigas, juntas dão um paço para trás, Beatriz que era morena, corpo torneado e lindos olhos cor de mel exclama auto que se assustou com a amiga e diz não compreender tanto escândalo. A outra, mais baixinha de todas, a Elisa, que geralmente gostava de usar roupas mais longas e sapatos mais altos, diz que o cachorro não a assustou mais do que o grito de sua amiga Lorena. O cachorro latia enquanto as amigas já assustadas se agrupavam uma colocando o braço cruzado na outra de forma que ficaram as três unidas, e tornaram a caminhar seguindo o seu trajeto sempre acompanhadas pelos olhos cintilantes do cachorro, caminham com uma certa serenidade, ainda não haviam avistado a casa no alto do morro, até que Beatriz a vê e diz:


- Nossa que casa mais treva. Fiquei toda arrepiada!
- É verdade. Toda escura por fora, né?! - Responde Elisa.

 Os passos das moças ficaram mais lentos, a respiração delas parecia mais ofegante que o normal, Lorena olha para traz e se dá conta que o cachorro não mais as observa, em compensação vê que tudo está escuro atrás, sente medo, segura mais fortemente no braço direito de Elisa que é quem está no meio e sem falar nada para não assustar suas amigas segue o caminho. O vento daquela noite de verão ficou de repente mais frio, a velocidade com que as palmeiras imperiais que haviam ali na calçada, suas folhas balançavam parecia ter aumentado, sem perceber a linda Beatriz chuta uma pequena pedra, o barulho a assustou, ela de súbito aperta o braço esquerdo de sua amiga, nada fala também. Ao ouvir o barulho Elisa rapidamente olha para trás e nada vendo olha a frente, sente-se tentada a olhar mais uma vez para trás e pensa consigo que estão sendo perseguidas, mas logo respondendo a si própria diz ser impossível já que o cachorro não latiu. Elas continuam caminhando, mas a caminhada era lenta, parecia que passar em frente aquela casa era uma missão que nunca terminaria.

 As moças encolhidas, já amedrontada cada uma individualmente, seguem caminhando sem deixar qualquer coisa transparecer uma para as outras. O silêncio era grande, barulho mesmo só o do vento quando tocava nas cumeeiras da casa no alto do morro. E começou ali, naquele momento, sem que elas nem tivessem percebido pois estavam já tão assustadas que sequer perceberam o bailar excessivo também das palmeiras imperiais.



 As nuvens no céu começaram a aparecer, surgiam de todas as partes, as estrelas e a linda lua que estava em seu ápice começaram a sumir entre as nuvens. O véu paladino do escurecer começou a tomar de conta de toda a rua, a torre da casa parecia estar rodeada de nuvens, sua ponta mais alta desapareceu, não se podia ver, e antes o que parecia assustador se tornou ainda mais assustador do que o normal. O vento ruía, ruía, ruía sem parar. As jovens moças pareciam estar perdidas em um caminho sem volta, e voltar era o que menos queriam naquele momento.

   Eis que de repente uma das janelas abre-se lentamente, as moças nada percebem pois a escuridão tudo escondia.O vento mais forte bate a janela, o vento silencia e o som se propaga até os ouvidos de Lorena, Beatriz e Elisa. Elas param de súbito onde estão. Uma olha para a outra, apavoradas, sem voz, os braços que antes estavam cruzados já não mais cruzados estavam, uma pegava na mão da outra. Começaram a correr. O vento retorna com toda a sua força, a janela começa a ruir, um ruido estridente junto ao vento, que mais pareciam uma nota fúnebre, enquanto as moças corriam. Elisa cai, seu salto quebra-se em meio a toda aquela confusão. O seu coração dispara, olhando fundo na ladeira ver uma sobra, sente uma sensação horrível, e exclama:

- Meninas viram aquilo? - Aponta com o dedo – estamos sendo perseguidas por alguém.

   Tira os sapatos, levanta e continuam correndo, assustadas. Na ponta da cerca, Beatriz vê de longe algo na cor prata, eram duas bolas pequenas reluzentes, de repente o cão se precipita sobre a cerca e começa a latir, todas gritam apavoradas, correm, não sabem o que fazer, aquele momento parece não ter fim. Ouvem paços, que se misturam aos ruídos estridentes da janela, e ao barulho excessivo do vento tocando na cumeeira da casa. Os passos parecem acelerar, elas correm mais do que nunca, rapidamente chegam na casa de Beatriz, ela não consegue colocar a chave na fechadura, a chave cai, Elisa pedi a ela que seja rápida, ela não consegue pois está tremendo muito, Lorena toma a chave da mão dela, coloca na fechadura e abre o portão, entram correndo, fecham o portão, entram dentro de casa trancam a porta, ofegantes na respiração, Elisa já chorando e apavorada. Todas sentam ali mesmo no chão uma olhando para a outra, ainda com medo. A casa escura, nenhuma luz acessa, de repente:

- Alguém? - Exclama o pai de Beatriz.

   Todas gritam sem pensar, apavoradas, o pai se assusta e logo acende a luz, olha as moças e preocupado pergunta o que aconteceu. As luzes do segundo andar se acendem, descem para a sala a mãe de Beatriz e seu tio, perguntando o que estava havendo ali, e quais eram o motivo de tanta gritaria.


 A lua toma o seu lugar no céu, cheia e rosada. As estrelas aparecem, enfeitando o infinito de modo que mais parece um lindo cobertor de diamantes. O vento se torna uma brisa suave. As jovens estão lá na cozinha tomando água e explicando o ocorrido.

   Eram nove horas da manhã, Dona Ana grita para que todos acordem pois o café estava na mesa. As moças são as primeiras a descerem, ainda comentando sobre o ocorrido da noite anterior, e afirmando uma para as outras que não conseguiram dormir pensando no corrido. O jovem Luiz, irmão de Beatriz entra na sala de café:

- Bom dia meninas!
- Bom dia mano - responde Beatriz.
- O é, o que ocorreu ontem a noite que vocês estavam correndo e gritando assustadas na ladeira? Vocês não          me reconheceram não é? Eu estava logo atrás de vocês, suas loucas!

   Elas olharam entre sim e todas começaram a rir.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sexta Feira Treze Parte Final



- Quem está ai? Quem está ai? - Insistiu.

Ninguém havia na casa, porém aquela percepção de um espectro sob a luz me dava a certeza que alguém lá estava, mas não era, o espectro avançava silenciosamente na escuridão de minha casa, minhas pernas tremiam, o corpo todo estava agitado o tempo parecia não passar, foi então que vou um uivo fino e melancólico. Sai correndo descendo escadas abaixo procurando um lugar no qual pudesse esconder-me, abria uma porta, o suor descendo frio, abria outra foi quando achei a porta do armário, lá mesmo me escondi, procurei algo que pudesse iluminar e por sorte achei uma lanterna, acendi para vero o local onde estava mas rapidamente apaguei quando ouvi os passos. Pela fresta do armário dava para ver qualquer coisa que passasse, mas nada vi.

Lá fora a ventania sorrateiramente forçava o arame a bater na barra de metal que havia no poste, o barulho era infernal e por horas meu coração acelerava e a respiração ficava ofegante. Pensei ser tudo aquilo obra de minha imaginação, mas logo que escutei lá na cozinha as panelas tilintando eu sabia haver alguém em casa, quem poderia ser? Estava com medo, estava sozinho em casa. Logo veio na mente o pensamento do gato preto, fora ele que me trouxera todo aquele azar. Resolvi então sair do armário e andar pela casa silenciosamente na busca do que estava a me incomodar, na ponta do pé me dirigi até a coisa, com a lanterna a meia-luz fui caminhando cuidadosamente e a medida que me aproximava do cômodo onde ele poderia estar o cuidado era redobrado, chegando hesitei em colocar a cabeça para ver mas fui na ponta do olho procurando pelo algo que lá poderia estar, vi que nada havia na cozinha, dei uma volta procurei nos possíveis lugares onde poderia estar escondido e nada, a cozinha parecia estar em ordem, as portas trancadas, pensei que nada poderia ser, mas porque eu ainda estava com medo? Então continuei a minha busca dentro de casa.



Sai da cozinha e fui-me dirigindo a sala, inquietamente por dentro de minha alma eu sentia que a qualquer momento algo poderia acontecer, estava com medo, no momento que coloco o pé direito na sala me deparo com o sofá uma ventania forte se fez e bum fez a janela na sala, olhei rapidamente para traz e para os lados, o que poderia ser? Me arrepiei dos pés a cabeça e tremi a alma me aproximei da janela e percebi que a ventania a forçou a bater, havia esquecido de fecha-la, sempre verifico as janelas antes de ir dormir mas naquele dia em especial não as fechei. A ventania lá fora continuava de tal modo que o vento ao tocar na cumeeira de minha casa cantava aquele seu canto indiscutível das cidades pequenas canto que abrilhanta as pequenas cidades porém naquela noite em nada estava abrilhantando ou contribuindo para o meu sossego, era mais um barulho informal que o canto do vento.

As horas dentro daquela casa pareciam não passar, a todo momento eu olhava no relógio e percebia que o ponteiro não saia do lugar. Fechei bem as janelas, verifiquei as portas e tudo estava normal como diariamente, nada passara por ali, olhando pelo reflexo da janela percebi mais uma vez uma sombra se aproximando tomando uma forma espectral corri para o armário que estava ali próximo com a finalidade de me proteger, fiquei lá mais uma vez quieto com a respiração ofegante pedindo a Deus para que passasse logo aquele momento e nada, a sombra se foi, resolvi sair do armário e olhando para as escadas fui subindo degrau por degrau, eram apenas seis degraus mas que demorei uma eternidade para subi-los pois tinha que ter cuidado para não denunciar minha presença ao meu algoz. Subia um degrau e parava, olhava para traz e para frente e nada, subia outro degrau e repetia o ritual calmamente e nada. Cheguei no corredor que dava para os quartos, fui verificando de um a um e nada de encontrar qualquer vestígio que fosse de que havia uma presença ali, até que ouvir um barulho estrondoso mais uma vez, a luz tentou voltar, vi um enorme clarão na rua que de susto me agachei pensando ser algo dentro de minha casa mas vi que não era então voltei a minha postura normal, eram faíscas que saiam do poste lá fora, agora eu tinha certeza de que naquela noite a energia não mais voltaria. Maldito prefeito, pensei, uma coisa tão simples e ele poderia resolver no mesmo dia, aquilo era a menor das preocupações dele mas ele que nunca mandava alguém para concertar aquilo.


  Barulhos constantes vinham do sótão, pareciam com o arrastar de caixas o chão, entrei no meu quarto peguei então um taco de beisebol, nunca joguei esse esporte apesar de admirar mas o taco eu havia ganhado de meu sobrinho que fez uma viajem ao Canadá, com o taco na mão me encaminhei sorrateiramente até as escadas do sótão, subi e quando coloco a cabeça na porta do sótão nada vejo, tento iluminar mas aqueles barulhos de caixas se arrastando cessaram, fui verificar mais perto e nada, me viro de repente para ver o que passou por traz de mim e bum, uma enorme pilha de caixas cai sobre mim, tento me colocar de pé rapidamente chutando as caixas e saio correndo, lá fora o arame castiga o poste, meu coração acelera, tento colocar força nas pernas e não consigo, a respiração fica ofegante, diante da porta tento abri-la mas as chaves não rodam, olho para um lado e para o outro e nada consigo para me esconder, as mãos começam a tremer, as janelas estão fechadas, me pergunto o que fazer, corro para o armário, acabei esquecendo do taco e da lanterna, e agora, tropeço sobre o sofá logo me recomponho e chego no armário, me fecho, tento ver algo na fresta e nada, o coração parece querer saltar para fora procuro acalmar-me, mas nada vejo.Perdido na escuridão dentro do armário me vejo, e ninguém para me acudir, até que tive a ideia de pegar o telefone e ligar para a polícia, aquilo não era normal, impossível tantas coisas acontecerem na calada da noite e não ser alguém, antes fiquei tentando relembrar se eu havia feito algo de errado com alguém mas logo cheguei a conclusão de que não tinha inimigos, então coloquei a cabeça para fora com a finalidade de ver se alguém estava ali e nada, me dirigi até o telefone na sala e puxando-o do gancho constatei que não havia linha, provavelmente o estrondo que houve no posto deve ter prejudicado de algum modo a linha do telefone. Lá fora a ventania parara e a chuva começara a cair frescamente e depois aumentando o se volume, foi quando ouvi um trovão.

Era só o que faltava, a única coisa que me restava fazer era subir para o meu quarto e tentar mais uma fez fazer uma nova busca nos quartos e no sótão, e foi o que fiz, quando mais uma vez eu vi o espectro avançando sob a lua, dessa vez ele não vinha em minha direção com os olhos fui seguindo o espectro e o vi se escondendo no sótão, subi lá na esperança de que veria algo, procurei por todos os lados e nada encontrei em meio aquela escuridão, vi uma caixa se mexendo, de súbito o coração começou a pular mas tentei me aproximar, foi então que ouvi um miado. Me aproximei para ver o que era e para o meu espanto era uma gata com três filhotes recém nascidos, a gata preta que me perseguira desde a casa velha.


.


domingo, 8 de maio de 2011

Sexta Feira Treze - Parte I


Sexta Feira Treze - Parte I

Estava andando pela rua das Laranjeiras no bairro de mesmo nome aqui no Rio de Janeiro, incrível como tudo mudou, os casarões velhos da época de meus avós deram lugar a enormes prédios e arranha céus que mais parecem que vão cair por cima de nós do que qualquer outra coisa, em nada lembram a bela construção aristotélica da Acrópoles.

A noite é muito convidativa, e nas laranjeiras não perdeu o seu ar de mistério ou silencio, o fato é que continua lá escondido por trás daquelas construções de concreto. Com elas ou sem o bairro não perdeu seu charme, continua o mesmo da época de Machado de Assis, em algumas ruas é possível ver algumas construções antigas, imaginar o grande acadêmico vislumbrando seus contos.

E foi andando a procura de uma dessas ruas que entrei na rua Imaruí, não havia imaginado que aquela rua fosse tão escura, iluminada apenas por um poste, a rua era pequena e tinha mais ou menos uns quinze casarões e um enorme prédio fincado bem no meio, a única coisa que é capaz realmente de tirar o charme de lá. Em cada casa havia uma árvore, fui caminhando e observando cada uma, os portões antigos, as varandas com detalhes em azulejo, até que ouço um uivo, era o uivo de um cachorro, nossa fiquei todo arrepiado, mas continuei observando os casarões, alguns até abandonados estavam, ignorei o uivo pois pensei que ali havia a possibilidade de alguém ter um cão em casa.

A casa de numero 102 foi a que mais demoradamente fiquei a analisar, a data de sua construção estava afixada na faixada de 1885 um ano depois de nossa primeira constituição segundo a batuta do imperador Pedro II, ela era muito significativa mas aparentemente estava abandonada. A sua cor era azul e branco, estava toda desbotada, a abobadada mais parecia um circulo do que um vaso, nas telhas podia ser ver buracos enormes, precipitei-me sobre o portão, a luz do poste piscou duas vezes e apagou, a rua que já era escura ficou mais escura ainda, percebi que já era hora de ir pra casa com a promessa de que viria um outro dia para ver o estado real da casa e tentar aos menos descobrir dos vizinhos quem era o dono. Já caminhando pra casa, ainda na rua Imaruí, percebo uma sombra enorme se aproximando de mim, isso era possível pois a lua naquele dia estava cheia e possibilitava uma luminosidade prateada e singela, o seu brilho tocava a terra que se refletia na vasta escuridão prateada da rua. Cada vez mais que eu me aproximava da sombra e ela de mim percebi diminuir, e foi assim até nos encontrarmos, nossa era um enorme gato preto com seus olhos brilhantes, ele olhou-me ronronando, fiz o sinal da Santa Cruz e sai sem sequer olhar para traz, aquilo não era bom, era um sinal de mal presságio, fiquei me questionando o porque logo comigo.

Fui pra casa correndo, eu era muito supersticioso e me sentia muito preocupado quando isso acontecia, chegando em casa peguei logo um galho de arruda fui até meu quarto tirei toda a roupa em seguida peguei um roupão e fui direto pro banheiro. Na banheira já cheia joguei as folhas de arruda esperei alguns minutinho e me joguei dentro com a esperança de afastar de mim todo aquele mal presságio que havia sentido. Ainda ouvia o ronronado dele, parecia querer falar algo, algo que meus olhos não viam ou que ainda não sentia. Minha mão trêmula caminhava sobre o meu corpo em busca de qualquer lugar seco onde a água não houvesse tocado, o medo tomara conta de mim.

Ouço ruido inigualáveis, umas das janelas de meu quarto começaram a bater sistematicamente, levantei-me e fui fecha-la mas para meu espanto lá estava ela fechada e as cortinas pareciam do modo como deixei antes de deitar-me na cama, a imagem do gato preto voltou em minha mente, por um momento pensei ser um sonho mas logo lembrei que não era, os sinos da igreja badalavam a meia noite, meus olhos deslizando sobre o calendário que estava na parede denunciaram que era sexta feira treze, fiquei todo arrepiado, a sensação era de que aquela noite não seria boa, joguei-me na cama embaixo de meus edredons procurei ao máximo me confortar e dormir mas estava difícil, em frente a minha casa havia um poste e no poste uma espécie de arame que castigava-o a todo momento, eu já havia ligado para a prefeitura umas dez vezes para que eles viessem resolver o problema mas a resposta era sempre a mesma de que um dos funcionários passaria por lá para resolver o problema e assim se foi a semana.

A ventania que estava fazendo naquele início de noite de sexta feria contribui para que o arame batesse constantemente no poste e com violência de modo que em um dado momento ouvi um estrondo seguido de uma queda de energia. Minha casa ficou totalmente escura, e eu já entrando em estado de insônia tive que me levantar para acender uma vela. Caminhando dentro de minha casa, modéstia parte muito bonita, no meu corredor todo em madeira colonial, a claridade que da janela dava para o corredor foi que iluminou o caminho, percebi então meio que um espectro avançando sobre a luz.


Imagem: http://www.imotion.com.br/imagens/details.php?image_id=5207